Marielle foi morta por travar negócios de milícia

Suspeitos queriam construir imóveis de luxo em zona que vereadora pretendia destinar a famílias pobres.

Marielle Franco tinha 38 anos Foto: Direitos Reservados
Domingos Brazão, um dos irmãos detidos, à chegada a Brasília Foto: André Borges Lusa

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Marielle Franco, a vereadora do Rio de Janeiro assassinada a 14 de março de 2018, foi morta por atrapalhar os projetos de especulação imobiliária de Chiquinho e Domingos Brazão, dois irmãos de uma poderosa família ligada a uma milícia armada, presos no domingo como mandantes do crime. A informação, que fundamentou a prisão dos irmãos e também do ex-chefe da polícia do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa, por obstruir as investigações, foi confirmada pelo diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A influência de Marielle junto dos líderes locais na zona oeste do Rio, dominada há muito pela família Brazão, estava a dificultar a expansão dos negócios ilegais do grupo e a dar prejuízos milionários, por isso, Domingos, conselheiro do Tribunal de Contas, e Chiquinho, hoje deputado federal mas na altura também vereador, decidiram eliminá-la, revelou Rodrigues.A gota de água terá sido a oposição da jovem vereadora de esquerda a um projeto apresentado por Chiquinho para legalizar vastas áreas ocupadas ilegalmente pelo seu grupo e onde pretendiam construir condomínios que lhes renderiam milhões, enquanto Marielle pretendia destinar a área a famílias pobres. Domingos e Chiquinho terão então contratado o ex-polícia Ronnie Lessa, preso desde 2019 como assassino confesso de Marielle. Foi o recente depoimento colaborativo deste, após cinco anos preso, que permitiu esclarecer as mortes de Marielle e do motorista, Anderson Gomes, e levou à prisão dos mandantes.

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