Missão Artemis II viveu momento crítico com corte de 40 minutos nas comunicações

Na passagem para o lado oculto da Lua, a cápsula ‘Orion’ esteve a uma distância de 406 773 quilómetros da Terra: nunca uma missão tripulada esteve tão longe do nosso planeta.

07 de abril de 2026 às 01:30
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A missão Artemis II viveu esta segunda-feira um dia histórico mas também crítico ao sobrevoar por mais de seis horas o lado oculto da Lua. A missão espacial fez história, às 18h57 (hora de Lisboa), quando foi batido o recorde da missão tripulada que esteve mais longe da Terra, a uma distância de 406 773 quilómetros.

Ao ser estabelecido o recorde, o comandante Reid Wiseman lançou um desafio aos jovens: “Escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima para que o recorde não dure muito tempo”, disse. Três minutos depois, Reid Wiseman, em contacto com o centro de controlo da NASA em Houston (Texas, EUA), sugeriu batizar uma cratera da Lua com o nome de ‘Integrity’, em homenagem à cápsula ‘Orion’, pois a tripulação apelidou a nave de ‘Integrity’. Sugeriu também o nome de ‘Carroll’ para uma área da Lua, em homenagem à mulher, mãe das duas filhas, já falecida. Foi um momento de emoção no espaço, com os outros três astronautas, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, a abraçarem o comandante, tendo o centro de controlo prestado um minuto de silêncio. Regressados ao trabalho, os astronautas colocaram os olhos sobre a superfície lunar. Pelas 19h45 começava, então, o sobrevoo lunar de mais de seis horas. Período em que foram recolhidos dados preciosos sobre o lado lunar raramente observado. Atecnologia mais sofisticada foi acionada para a observação geológica do satélite, na identificação de crateras e dos antigos rios de lava. Igual plano foi estabelecido para a análise das condições climatéricas.

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Cerca de quatro horas após o início do sobrevoo lunar estava agendado o corte das comunicações com o planeta Terra por um período de 40 minutos, isto porque o satélite da Terra funcionará como bloqueio, entre o nosso planeta e a cápsula ‘Orion’ na captação dos sinais da Rede de Espaço Profundo da NASA. Por volta da meia-noite estava previsto o momento em que a cápsula estaria mais próxima da superfície lunar a uma distância de 6,5 mil quilómetros. O restabelecimento das comunicações ocorre na fase final do sobrevoo da Lua. Já no regresso à Terra a amaragem deve ocorrer no oceano Pacífico na próxima sexta-feira. A missão tripulada serve de ensaio para uma futura viagem espacial prevista para dentro de dois anos, com alunagem marcada no polo Sul do satélite da Terra.

     

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FOTO: NASA
Fotografia da Lua libertada esta segunda-feira pela NASA captada de uma escotilha da cápsula ‘Orion’
FOTO: NASA
Christina Koch detém o recorde de voo espacial contínuo mais longo realizado por uma mulher, com 328 dias a bordo da ISS
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Emoção ao acordar

Os astronautas acordaram ontem com a voz do comandante da Apollo 13, Jim Lovell, que gravou a mensagem apenas alguns meses antes da sua morte em agosto. “Bem-vindos ao meu bairro”, disse Lovell, que também esteve na Apollo 8, na primeira ida à Lua. “É um dia histórico. Sei o quão ocupados estarão, mas não se esqueçam de apreciar a vista”, disse.

Rota de retorno livre

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A Artemis II vai recorrer à mesma manobra que, em 1970, foi utilizada pela Apollo 13 após a explosão do tanque de oxigénio que destruiu qualquer esperança de uma alunagem, levando à famosa frase “Houston, temos um problema”. Conhecida como uma trajetória lunar de retorno livre, esta rota colocará os astronautas no caminho de regresso a casa.

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