Missão Artemis II viveu momento crítico com corte de 40 minutos nas comunicações
Na passagem para o lado oculto da Lua, a cápsula ‘Orion’ esteve a uma distância de 406 773 quilómetros da Terra: nunca uma missão tripulada esteve tão longe do nosso planeta.
A missão Artemis II viveu esta segunda-feira um dia histórico mas também crítico ao sobrevoar por mais de seis horas o lado oculto da Lua. A missão espacial fez história, às 18h57 (hora de Lisboa), quando foi batido o recorde da missão tripulada que esteve mais longe da Terra, a uma distância de 406 773 quilómetros.
Ao ser estabelecido o recorde, o comandante Reid Wiseman lançou um desafio aos jovens: “Escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima para que o recorde não dure muito tempo”, disse. Três minutos depois, Reid Wiseman, em contacto com o centro de controlo da NASA em Houston (Texas, EUA), sugeriu batizar uma cratera da Lua com o nome de ‘Integrity’, em homenagem à cápsula ‘Orion’, pois a tripulação apelidou a nave de ‘Integrity’. Sugeriu também o nome de ‘Carroll’ para uma área da Lua, em homenagem à mulher, mãe das duas filhas, já falecida. Foi um momento de emoção no espaço, com os outros três astronautas, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, a abraçarem o comandante, tendo o centro de controlo prestado um minuto de silêncio. Regressados ao trabalho, os astronautas colocaram os olhos sobre a superfície lunar. Pelas 19h45 começava, então, o sobrevoo lunar de mais de seis horas. Período em que foram recolhidos dados preciosos sobre o lado lunar raramente observado. Atecnologia mais sofisticada foi acionada para a observação geológica do satélite, na identificação de crateras e dos antigos rios de lava. Igual plano foi estabelecido para a análise das condições climatéricas.
Cerca de quatro horas após o início do sobrevoo lunar estava agendado o corte das comunicações com o planeta Terra por um período de 40 minutos, isto porque o satélite da Terra funcionará como bloqueio, entre o nosso planeta e a cápsula ‘Orion’ na captação dos sinais da Rede de Espaço Profundo da NASA. Por volta da meia-noite estava previsto o momento em que a cápsula estaria mais próxima da superfície lunar a uma distância de 6,5 mil quilómetros. O restabelecimento das comunicações ocorre na fase final do sobrevoo da Lua. Já no regresso à Terra a amaragem deve ocorrer no oceano Pacífico na próxima sexta-feira. A missão tripulada serve de ensaio para uma futura viagem espacial prevista para dentro de dois anos, com alunagem marcada no polo Sul do satélite da Terra.
Emoção ao acordar
Os astronautas acordaram ontem com a voz do comandante da Apollo 13, Jim Lovell, que gravou a mensagem apenas alguns meses antes da sua morte em agosto. “Bem-vindos ao meu bairro”, disse Lovell, que também esteve na Apollo 8, na primeira ida à Lua. “É um dia histórico. Sei o quão ocupados estarão, mas não se esqueçam de apreciar a vista”, disse.
Rota de retorno livre
A Artemis II vai recorrer à mesma manobra que, em 1970, foi utilizada pela Apollo 13 após a explosão do tanque de oxigénio que destruiu qualquer esperança de uma alunagem, levando à famosa frase “Houston, temos um problema”. Conhecida como uma trajetória lunar de retorno livre, esta rota colocará os astronautas no caminho de regresso a casa.
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