Morreu Jesse Jackson, reverendo e figura incontornável da luta pelos direitos civis nos EUA
Reverendo, ativista e antigo candidato presidencial tinha 84 anos.
Jesse Jackson, reverendo e ativista norte-americano que marcou o movimento pelos direitos civis da comunidade afro-americana nos EUA, morreu esta terça-feira. O clérigo, que se candidatou por duas vezes à presidência, tinha 84 anos.
Em comunicado, a família de Jackson confirmou a morte. "O nosso pai foi um líder servente – não só para a nossa família, mas para os oprimidos, para os que não têm voz, para os ignorados um pouco por todo o mundo", dizem, citados pela NBC News. "A sua crença inabalável na justiça, na igualdade e no amor inspiraram milhões, e pedimos que honrem a sua memória ao continuar a luta pelos valores pelos quais ele viveu", pode ler-se.
Nascido na Carolina do Sul, fez-se notar pelo seu trabalho enquanto organizador de movimentos cívicos pela igualdade racial na década de 1960. Um discípulo de Martin Luther King, ao lado do qual marchou na célebre caminhada de Selma, Jackson destacou-se ao longo das décadas pelo seu trabalho na arena política e junto das comunidades do país.
Estava com King quando este foi assassinado, em Memphis, em 1968. "Vi como ele continuou o movimento de Martin Luther King pela justiça, como o cimentou no Norte da América e o tornou num movimento verdadeiramente nacional... mudou a nação", afirmou o também reverendo e ativista Al Sharpton anos mais tarde, a propósito de Jackson.
Na década de 1970, fundou e dirigu a PUSH (People United to Serve Humanity) organização que lutou para melhorar as condições de vida das comunidades desfavorecidas da América. Pelo caminho, destacou-se também como intermediário pela paz, negociando acordos com Síria, Iraque, Cuba e Jugoslávia para a libertação de prisioneiros.
Em 1984 e 1988, foi candidato à nomeação do Partido Democrata para presidente dos EUA. Não venceu, mas a sua notoriedade e capacidade de mobilizar o voto afro-americano influenciou de forma decisiva as políticas do partido nos anos e décadas seguintes.
Manteve sempre a intervenção política: em 1996, declarou ser a sua missão colocar "os pobres e os quase-pobres no centro da agenda americana". Apoiou publicamente Barack Obama e Bernie Sanders, e foi muito crítico nos últimos anos das presidências de Donald Trump, que descreveu como "uma ameaça a 50 anos de direitos civis".
Nos últimos anos, as suas intervenções em público foram diminuindo, fruto do diagnóstico de Parkinsons que anunciou em 2017. Foi casado durante mais de 60 anos com Jacqueline Brown, que conheceu nos tempos de luta dos anos 60, e com ela teve cinco filhos, incluindo Jesse Jackson Jr. eleito entre 1995 e 2012 como representante do Illinois no Senado norte-americano.
Em atualização
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