Morreu Ratko Mladic, o 'carniceiro da Bósnia' condenado por genocídio
Ex-general sérvio-bósnio desempenhou um papel cruel na guerra dos Balcãs. Mais de 10 mil pessoas foram mortas e enterradas em valas comuns.
O ex-general sérvio-bósnio, Ratko Mladic, morreu esta quinta-feira no centro de detenção de Haia, nos Países Baixos, onde estava preso desde 2011 por genocídio, confirmou o advogado do antigo militar e um porta-voz da ONU.
Conhecido como o 'Carniceiro da Bósnia' pelo papel cruel que desempenhou na guerra dos Balcãs, o ex-general morreu aos 83 anos, avança o jornal El País. O estado de saúde de Mladic era delicado há muitos anos, com vários internamentos nos últimos tempos.
Embora tivesse ainda 15 anos a cumprir atrás das grades, em 2017 foi condenado a prisão perpétua devido à participação no genocídio de Srebrenica.
Mladic é conhecido por ter orquestrado, em 1995, o massacre que acabou com a vida de pelo menos oito mil muçulmanos numa "zona segura" da Bósnia designada pela ONU. Aquela foi a pior atrocidade cometida na Europa desde a II Guerra Mundial.
O genocídio de Srebrenica foi o culminar macabro de uma guerra que tinha durado mais de três anos, durante a qual o general bombardeou diariamente a capital, Sarajevo, com artilharia, tanques, morteiros, metralhadoras utilizadas pelo exército nacionalista sérvio-bósnio. Mais de 10 mil pessoas morreram.
As vítimas foram enterradas com escavadoras em valas comuns durante quatro dias em julho de 1995. Alguns dos cadáveres foram, posteriormente, exumados e transferidos para zonas remotas montanhosas para esconder as provas dos assassinatos.
O objetivo de Mladic e dos restantes generais era a "limpeza étnica" e a expulsão à força dos muçulmanos bósnios, croatas e outros não sérvios para libertar territórios bósnios e criar uma Grande Sérvia.
O tribunal concluiu que Mladic, junto com o falecido presidente sérvio Slobodan Milosevic e o líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic, fazia parte de uma conspiração criminosa para levar a cabo este plano.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt