Morreu ‘Totò’ Riina, o ‘padrinho’ da máfia

O mais temido líder criminoso de Itália faleceu aos 87 anos num hospital de Parma.

18 de novembro de 2017 às 06:00
Riina recusou colaborar com as autoridades, pelo que há ainda muito por saber sobre as relações entre a máfia e os poderes políticos italianos, e nomeadamente sobre a relação de Riina com o três vezes primeiro-ministro Giulio Andreotti. Em 1993 um informador afirmou ter visto Riina e Andreotti abraçarem-se como amigos Foto: EPA
Morreu Salvatore Totò Riina, o chefe da Máfia Siciliana Foto: Direitos Reservados
Morreu Salvatore Totò Riina, o chefe da Máfia Siciliana Foto: Direitos Reservados

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Morreu ontem, aos 87 anos, o líder mafioso mais sanguinário de sempre. Salvatore ‘Totò’ Riina cumpria 26 penas de prisão perpétua e faleceu na ala prisional de um hospital de Parma, no norte de Itália.

Conhecido como ‘A Besta’, devido à sua crueldade, liderou a máfia siciliana desde 1974 e matou mais de 150 pessoas, tendo executado pessoalmente 40 das vítimas. Num crime especialmente infame, mandou matar um menino de 13 anos para intimidar o pai. O rapaz foi estrangulado e o cadáver foi dissolvido em ácido.

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Riina passou décadas em fuga e acabou por ser vítima da sua própria estratégia de terror. Em 1992 mandou matar os magistrados Giovanni Falcone e Paolo Borsellino, que julgaram 300 mafiosos no famoso ‘maxiprocesso di Palermo’, iniciado em 1986. A ideia dos homicídios era intimidar o poder judicial, mas a polícia respondeu com o aperto do cerco ao líder máximo da máfia, que foi detido em 1993.

O ‘padrinho’ nunca revelou remorsos. Num telefonema intercetado este ano, já no hospital, afirmou "não se arrepender de nada" e garantiu: "Nunca me vão vergar, nem que me condenem a 3000 anos". Acabou vergado por um cancro.

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SAIBA MAIS 

1930

Ano do nascimento de ‘Totò’ Riina, em Corleone, na Sicília, aldeia tornada famosa pela série de filmes ‘O Padrinho’, de Francis Ford Coppola. Vito Corleone, o líder mafioso desses filmes, nasceu na mesma aldeia.

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O chefe nas sombras

Riina passou décadas em fuga à polícia. Entre 1969 e 1993, quando foi detido, viveu em esconderijos, o que não o impediu de liderar o clã Corleone e de se tornar, em 1974, o ‘padrinho’ ou líder máximo da máfia. Durante os 24 anos que passou em fuga nunca deixou a Sicília.

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