Movimento Ibérico Antinuclear assinala 40 anos do acidente de Chernobyl
Movimento reafirmou que a energia nuclear não é solução para a crise energética.
O Movimento Ibérico Antinuclear (MIA) assinalou este domingo os 40 anos do acidente de Chernobil, na antiga União Soviética, atual Ucrânia, e reafirmou que a energia nuclear não é solução para a crise energética.
Em comunicado enviado à agência Lusa, o movimento composto por coletivos ambientalistas e instituições de Portugal e Espanha, lembrou o dia 26 de abril de 1986, há precisamente 40 anos, quando o acidente na central nuclear de Chernobil resultou na "maior catástrofe da história da energia nuclear civil".
"A nuvem nuclear percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão. 40 anos depois, não nos libertámos de Chernobil, a contaminação radioativa persiste em vastas áreas da Europa, afetando ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas. Milhares de pessoas foram expostas à radiação e continuam a viver com as suas consequências, muitas vezes invisíveis, mas duradouras", observou o MIA.
Por outro lado, sustentou, a realidade de Chernobil "contraria a narrativa de segurança frequentemente associada à energia nuclear" e demonstra "um padrão recorrente: a tendência para minimizar riscos, ocultar impactos e normalizar o inaceitável".
"Chernobil continua a lembrar-nos que não há energia nuclear segura. Há apenas riscos que, mais cedo ou mais tarde, se tornam realidade", afirmou o movimento.
Além da zona onde a antiga central está instalada ser agora "um alvo" da guerra que opõe a Rússia à Ucrânia, o MIA lembrou também a central de Zaporijia, a maior da Europa, localizada na "linha da frente" do conflito entre russos e ucranianos e outras, como no Irão, que "são alvos militares em potência".
"Neste contexto, o Movimento Ibérico Antinuclear reafirma que a energia nuclear não é uma solução para a crise energética nem para as alterações climáticas. Pelo contrário, representa um risco estrutural, com consequências potencialmente irreversíveis, como tragicamente demonstrado em Chernobil", vincou.
No comunicado, o MIA voltou a exigir o encerramento da central nuclear de Almaraz, em Espanha, localizada junto ao rio Tejo, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, "a rejeição de qualquer prolongamento da sua operação e a aposta decidida em energias renováveis seguras, limpas e sustentáveis".
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