Mulheres forçadas a colocar DIU na Gronelândia vão ser indemnizadas pela Dinamarca
Vítimas não sabiam que lhes tinha sido colocado um dispositivo contracetivo intrauterino.
O parlamento dinamarquês aprovou quinta-feira uma lei que prevê uma indemnização de cerca de 47 mil dólares (aproximadamente 40 mil euros) para mulheres e raparigas da Gronelândia que foram submetidas à colocação de dispositivos contracetivos intrauterinos (DIU) sem o seu consentimento.
A prática começou na década de 1960 e prolongou-se durante décadas, no âmbito de uma campanha das autoridades dinamarquesas para controlar o crescimento da população da ilha. Algumas das vítimas tinham apenas 12 anos e, em vários casos, não sabiam que lhes tinha sido colocado um dispositivo contracetivo, de acordo com o The New York Times.
Muitas das mulheres só descobriram que tinham um DIU anos mais tarde, depois de surgirem dores e outros problemas de saúde. Algumas sofreram problemas de fertilidade permanentes. A campanha terá continuado até à década de 1990.
Um relatório publicado no ano passado concluiu que mais de 4.000 mulheres e raparigas foram afetadas. Especialistas acreditam que a população atual da Gronelândia, de cerca de 57 mil habitantes, poderia ser significativamente maior se a campanha nunca tivesse acontecido.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já tinha apresentado um pedido oficial de desculpas às vítimas: "Em nome da Dinamarca, gostaria de pedir desculpa."
Agora, as mulheres abrangidas poderão solicitar uma indemnização única de 300 mil coroas dinamarquesas. Para tal, terão de apresentar um pedido descrevendo o que lhes aconteceu. Não será obrigatório apresentar registos médicos, embora estes possam ser utilizados para apoiar os processos.
"Sabemos que pode ser sensível para a mulher descrever o que aconteceu, mas precisamos de ouvir aquilo de que a mulher se consegue lembrar para podermos tomar uma decisão sobre o caso", explicou Trine Berner Madsen, uma responsável pelo processo.
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