Negros e latinos são quem mais morre por coronavírus em Nova Iorque

Números registam uma desproporcionalidade na população mais afetada pela Covid-19.

09 de abril de 2020 às 12:43
Coronavírus EUA Foto: Reuters
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O coronavírus está a matar mais pessoas de raça negra e de origens latinas em Nova Iorque, nos EUA, de acordo com um estudo divulgado esta quarta-feira no jornal The New York Times.

Esta disparidade reflete as desigualdades económicas de longa data naquele país e que persistem no tempo, garante o presidente da Câmara da cidade norte-americana. O acesso aos cuidados de saúde são uma das mais vincadas.

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"Existem claras desigualdades, claras disparidades na maneira como esta doença aefta as pessoas da nossa cidade. A verdade é que, de várias formas, os efeitos negativos do coronavírus – a dor e a morte que está a causar – acompanha outras disparidades profundas de assistência médica que existe há décadas", disse Bill de Blasio. 

A taxa de mortalidade preliminar para os hispânicos em Nova Iorque é de cerca de 22 em 100 mil. A dos negros regista um valor de 20 em cada 100 mil. Valores que contrastam com a taxa de mortalidade registada em cidadãos asitáticos ou caucasianos. 

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Esta quarta-feira, foram registadas mais 779 mortes só na cidade de Nova Iorque. Mas os governadores temem que o número real de óbitos possa ser muito superior.

O prefeito da cidade estima que existem cerca de 100 a 200 pessoas que morrem todos os dias em casa devido ao coronavírus, mas que não chegaram sequer a ser testadas e que por isso ficaram de fora das estatísticas.

"Antes do Covid-19, as pessoas morrerem em casa era algo muito raro. A única coisa que mudou para agora foi o aparecimento do coronavírus, por isso tem de estar relacionado", afirma.

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Os latinos são os mais afetados pelo vírus assassino, totalizando 43% das vítimas mortais em Nova Iorque, cidade onde apenas representam 29% da população. Já os negros, que compõem 22% dos habitantes da cidade nova-iorquina, são 28% da fatia representativa dos óbitos devido ao Covid-19.

Ainda assim, os números vindos de Nova Iorque não são tão desanimadores quanto os que chegam por exemplo da cidade de Chicago, no estado de Illinois, onde 72% das vítimas mortais do coronavírus são cidadãos negros, representantes de menos de um terço da população.

As causas destas disparidades poderão estar associadas a vários fatores. A mais provável é de que esta fatia da população, cuja grande maioria pertence à classe baixa, possa ter mais problemas crónicos de saúde que não são acompanhados por médicos, contrariamente aos indivíduos mais abastados. 

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Outra das hipóteses é a de que os negros e os hispânicos estejam desporoporcionalmente representados nas classes de trabalho que tem de permanecer na linha da frente do combate ao vírus, tais como funcionários de supermercados, condutores de autocarros e de comboios e empregadas de limpeza.

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