O homem que gerou consenso
Converteu o quartel-general da UNITA num bastião do MPLA. Nas últimas eleições, alguns opositores acusaram António Paulo Kassoma de ter usado uma estratégia suja. Garantem que durante a campanha ofereceu à população roupa, televisores, gado e fertilizantes. Apesar disso, poucos são os que não reconhecem a sua boa gestão enquanto governador de Huambo e os seus esforços bem-sucedidos para relançar a economia da província desde que assumiu o cargo, em Abril de 1997. Aliás, é voz corrente de que foi o seu desempenho exemplar que levou o presidente Eduardo dos Santos a oferecer-lhe a chefia do governo.<br/><br/>
Kassoma não terá, contudo, sido a primeira escolha do Bureau Político do MPLA, presidido por Eduardo dos Santos. O ‘Semanário Angolense’ assegurou que o actual vice-presidente do MPLA, António Pitra Neto, foi abordado para assumir a liderança do executivo mas rejeitou por razões de saúde. Diz-se também que Higino Carneiro, o ministro das Obras Públicas, esteve em discussão, mas o ex-governador do Huambo terá sido o que reuniu consenso. Quando foi convocado em Luanda, um jacto da Sonangol foi buscá-lo a Huambo e trouxe-o de volta ao fim do dia já oficialmente nomeado primeiro-ministro.
Até a oposição reagiu bem à nomeação. Isaías Samakuva, da UNITA, considerou que Kassoma tem perfil para o cargo; Ngola Kabangu, da FNLA, admitiu ser uma boa aposta e Eduardo Kuangana, do Partido da Renovação Social, reconheceu que merece uma oportunidade .
General na reserva, Kassoma não é propriamente um novato nas lides governativas. Antes de assumir as rédeas de Huambo, desempenhou cargos de vice-ministro da Defesa, vice-ministro e ministro dos Transportes, e ainda de ministro da Administração do Território. Agora vai implementar as políticas definidas por Eduardo dos Santos e, após a posse, prometeu acelerar a reconstrução do país e apostar numa maior justiça social.
As expectativas são elevadas, mas alguns analistas angolanos alertam que Kassoma é um militar da ala dura e não um tecnocrata e que gerir o governo de uma potência regional não é o mesmo do que governar uma província. O tempo dirá se foi uma escolha acertada.
COMBATE À FOME E POBREZA
O presidente de Angola pediu aos 33 ministros que ontem tomaram posse em Luanda "mais trabalho e menos discursos". Eduardo dos Santos apontou como questões essenciais o combate à fome e à pobreza e a construção de um milhão de casas durante esta legislatura.
As áreas da Saúde, Educação e Justiça, bem como as reformas da Administração Pública central e local, estão entre outras prioridades do governo. n
A FIGURA: VIDA PRIVADA DISCRETA
António Paulo Kassoma nasceu em Luanda há 57 anos. Filho de Paulo Kassoma e de Laurinda Katuta, ambos naturais do Bailundo (Huambo), formou-se em Engenharia Electromecânica em 1975. Trabalhou na Shell e no Agrupamento de Serviço Material de Angola (ASMA), instituição que após a independência passou a designar-se Base Central de Reparações. A sua vida privada é pouco conhecida. Em Huambo, diz-se que está separado da mulher e vive há alguns anos com uma cidadã brasileira. É membro do Bureau Político do MPLA.
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