"O ruído está sempre presente": Sobrevivente recorda momento em que foi sugado pela janela durante voo da Ryanair

Advogado aponta que hospedeiros de bordo "ficaram em choque" perante o sucedido. Avião aterrou de emergência em Salónica, na Grécia.

22 de julho de 2026 às 15:20
Ljubisa Karovic, (à esquerda), viajava para a Alemanha com a esposa, (à direita), quando a janela ao pé do lugar onde seguia se desprendeu do avião Foto: Rede Social X
Partilhar

A "explosão" e o "ruído antes do caos": são estas as memórias mais marcantes que Ljubisa Karovic, o passageiro de 61 anos gravemente ferido depois de ter sido sugado pela janela do avião da Ryanair. Ljubisa já teve alta do hospital e está a recuperar de queimaduras por todo o corpo e uma lesão no braço no braço direito. Tem ainda de usar um colar cervical e os médicos alertam para uma "recuperação lenta", onde irão avaliar a necessidade de cirurgia. "Não me lembro de grande coisa, mas continuo vivo", relata em entrevista ao jornal norte-americano The Guardian

Ljubisa seguia no voo FR1879 da Ryanair que partiu de Tessalónica, na Gécia, para Memmingen, na Alemanha, onde iria celebrar o aniversário do irmão, quando a janela do avião se soltou em circunstâncias ainda sob investigação por parte das autoridades. Ljubisa perdeu os sentidos três vezes durante o aparato, primeiramente quando ainda estavam a tentar puxá-lo para dentro do avião e, já depois, dentro. O rosto do homem ficou "inchado e deformado por causa da pressão", relata. "O ruído está sempre presente quando fecho os olhos para dormir", relata Ljubisa. O avião aterrou de emergência em Salónica, Grécia. 

Pub

O advogado que acompanha agora o processo de Ljubisa diz que o homem "esteve entre a vida e a morte" e acusa a tripulação do avião de "em nenhum momento se ter disponibilizado para ajudar", algo que já veio a ser contestado por parte da companhia aérea. "Assim que o avião desceu para uma altitude segura, a nossa tripulação de cabine prestou assistência ao Sr. Karovic, transferindo-o para outros lugares (ao lado da esposa) e providenciou que um médico a bordo se sentasse com eles até o avião aterrar em segurança em Salónica", refere a Ryanair num comunicado citado pelo The Guardian. O advogado aponta que "todos os hospedeiros de bordo estavam em choque, com medo de que o avião estivesse prestes a cair" e que foram os passageiros que se mobilizaram para ajudar. 

Quanto à atuação do piloto, o advogado aponta que "lidou bem com a situação", durante a descida rápida que está prevista no protocolo em caso de despressurização da cabine.

"Usem sempre o cinto de segurança. Não quero que ninguém sofra o que eu sofri", diz ao jornal norte-americano. 

Pub

Em entrevista dada à RTE depois do incidente, a mulher de Ljubisa explicou que parecia que parte do motor de avião se tinha desprendido, partindo a janela que se localizava ao lado do marido e causando a "despressurização da cabina". Alguns passageiros também relataram aos meios de comunicação social terem ouvido algo que parecia uma explosão. A esposa de Ljubisa refere que, depois de terem conseguido puxar o marido para dentro do avião, foi um dos passageiros que tentou bloquear a janela, "primeiro com um saco, que foi sugado para fora, e depois com uma mala". "Estamos-lhe eternamente gratos", diz. 

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar