Oito feridos em intervenção policial após manifestação em Maiorca contra sobrelotação turística
Segundo a polícia, o protesto reuniu 25 mil pessoas, enquanto os organizadores da ação falaram em 70 mil pessoas.
A Polícia Nacional interveio no domingo contra alguns manifestantes após uma marcha contra a sobrelotação turística realizada na ilha espanhola de Palma de Maiorca, causando oito feridos que receberam assistência dos serviços de saúde, segundo a agência noticiosa EFE.
Dois dos manifestantes feridos foram encaminhados para um centro hospitalar com ferimentos ligeiros, indicou ainda a agência espanhola.
Os factos ocorreram por volta das 22h00 locais (21h00 em Lisboa) e um dos feridos foi um fotógrafo que recebeu uma pancada na cabeça por parte de um polícia, de acordo com vários vídeos entretanto divulgados e citados pela EFE.
A carga policial ocorreu após uma manifestação que no domingo levou dezenas de milhares de pessoas às ruas de Palma para denunciar a sobrelotação turística na ilha de Maiorca, onde já "não cabem mais turistas".
Entre as testemunhas dos incidentes encontrava-se o deputado do Més per Mallorca no Congresso, Vicenç Vidal, que partilhou na rede social X um vídeo das investidas policiais e exigiu a demissão do delegado do Governo, Alonso Rodríguez: "O PSIB-PSOE está a permitir isto", denunciou.
Nem a Delegação do Governo nem a Polícia Nacional tinham confirmado, até ao momento, se se tinham verificado detenções durante os incidentes.
Segundo a polícia, o protesto reuniu 25 mil pessoas, enquanto os organizadores da ação falaram em 70 mil pessoas.
"Não há espaço para mais turistas" foi a mensagem transmitida pelos membros da plataforma "Menos Turismo, Mais Vida" durante a leitura de um manifesto durante a ação de protesto, que contou com o apoio de cerca de 50 organizações da ilha do arquipélago espanhol das Baleares, no mar Mediterrâneo.
No documento, os manifestantes exigiram que os líderes políticos tenham em conta as suas reivindicações, antes do ciclo eleitoral de 2027.
"O turismo invadiu as nossas costas, depois as nossas vilas e cidades, e agora ocupa as nossas casas. Numa crise habitacional sem precedentes, mais de 105 mil casas em Maiorca são utilizadas para fins turísticos, sejam legais ou ilegais", enfatizaram os organizadores.
Os organizadores do protesto, que começou depois das 19:00 locais (18:00 em Lisboa), declararam no mesmo manifesto que só aceitarão o "decrescimento do turismo como solução", uma vez que em Maiorca "não há espaço para mais carros, não há espaço para mais hotéis, não há espaço para mais alugueres turísticos, não há espaço para mais 'franchisings' de café, 'fast food' ou lojas de 'cheesecake', e não há espaço para mais turistas".
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