ONG acusa fornecedor da cadeia dos Labubus de exploração laboral na China

China Labour Watch afirma que jovens com idades entre os 16 e os 18 anos assinam contratos de trabalho em branco.

13 de janeiro de 2026 às 15:12
Labubu Foto: Long Wei/AP
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Uma organização não governamental de direitos dos trabalhadores afirma ter encontrado evidências de exploração na cadeia de abastecimento de Labubus, os brinquedos de peluche que conquistaram o mundo no ano passado e que devem manter a popularidade em 2026. 

Os Labubus, fabricados pela empresa chinesa de brinquedos Pop Mart, tornaram-se num dos produtos culturais mais exportados da China. Só no primeiro semestre de 2025, a linha de brinquedos “The monsters”, que inclui os Labubus, gerou 4,8 mil milhões de yuans (cerca de 590 milhões de euros) em vendas para a empresa cotada na bolsa de Hong Kong, avança o The Guardian.

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De acordo com uma investigação da China Labor Watch (CLW), ONG com sede em Nova Iorque, um dos fornecedores da Pop Mart envolveu-se em práticas de exploração no local de trabalho. Algumas delas incluem trabalhadores forçados a assinar contratos em branco, jovens de 16 a 18 anos empregados sem as proteções exigidas pela lei, formação inadequada em saúde e segurança e outras violações dos direitos laborais na fábrica na província de Jiangxi, no sudeste da China. 

A CLW enviou investigadores à Shunjia Toys, uma fábrica que emprega mais de 4.500 pessoas e que fornece os materiais à Pop Mart. Ao entrevistarem os funcionários, os investigadores perceberam que “os trabalhadores menores de idade não compreendiam a natureza dos contratos que assinavam e não tinham noção clara do seu estatuto legal”, afirmou a CLW num relatório. 

A investigação descobriu ainda que os trabalhadores assinavam contratos de trabalho em branco. A CLW explicou que eram instruídos a preencher os seus dados pessoais nos contratos, enquanto os detalhes das condições de trabalho, como a duração do mesmo, o conteúdo, o salário e os detalhes do seguro social eram deixados «em branco e sem explicação». 

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"Os trabalhadores tinham no máximo cinco minutos para concluir o processo e eram explicitamente instruídos a não ler ou preencher outras seções", afirmou a CLW.

Os funcionários recebiam alegadamente metas de produção irrealistas, com uma equipa de 25 a 30 pessoas que era obrigada a produzir pelo menos 4 mil Labubus por dia, confirma o The Guardian.

Um porta-voz da Pop Mart afirmou: “Na Pop Mart, levamos muito a sério o bem-estar e a segurança dos trabalhadores nas nossas fábricas. Realizamos auditorias regulares e padronizadas aos nossos parceiros de abastecimento, incluindo auditorias anuais independentes realizadas por empresas profissionais reconhecidas internacionalmente”.  

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A Shunjia Toys não comentou o assunto. 

A crescente procura por Labubus gerou um grande mercado de falsificações, conhecidas como Lafufus, que geralmente são feitas por trabalhadores em fábricas sem qualquer supervisão das condições de trabalho.  

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