Pais condenados em Espanha por manterem filhos trancados em casa durante quatro anos devido ao medo da covid-19
Crianças foram encontradas depois da denúncia de vizinhos. Acusação detalha que os três menores dormiam ainda em berços, como se fossem bebés, e ainda usavam fraldas.
Um casal espanhol foi condenado a dois anos e dez meses de prisão por terem mantido os três filhos menores trancados numa casa durante quatro anos, na cidade de Oviedo, a norte de Espanha. As crianças, dois gémeos de oito anos e o irmão de 10, permaneciam em casa desde a pandemia de covid-19 e foram encontradas com dificuldades motoras e rodeadas de lixo e medicamentos.
As crianças foram encontradas em abril do ano passado, depois da denúncia de um casal vizinho que terá ouvido gritos. A acusação detalha que os menores não saiam de casa depois de os pais “terem desenvolvido medo do mundo exterior durante a pandemia”, cita o jornal espanhol El País. As crianças não mantinham contacto com nenhum familiar a não ser os pais, segundo a imprensa espanhola.
A acusação detalha ainda que os três menores dormiam ainda em berços, como se fossem bebés, e ainda usavam fraldas.
O pai, Christian Steffen, cidadão alemão de 54 anos, e a mãe, Melissa Ann Steffen de 48 anos, com dupla nacionalidade, alemã e norte-americana, arrendavam desde outubro de 2021 a moradia onde as crianças foram encontradas.
Uma testemunha referiu ao El País que a mãe confessou ter pedido para educar os filhos em casa, na Alemanha, no início da pandemia, algo que não lhe foi permitido. A família mudou-se então para Espanha e permaneceu confinada desde então.
"Encontrámos sacos de lixo empilhados no primeiro andar como se tivessem sido atirados para ali e nunca os tivessem levado para a rua", refere o relato de um dos polícias ao jornal espanhol. "Os sapatos que as crianças usavam eram do mesmo tamanho que há quatro anos", referiram.
As crianças estão agora aos cuidados dos serviços sociais espanhóis e os pais foram ainda condenados ao pagamento de uma indemnização de cerca de 30 mil euros a cada criança, não estando autorizados a deter a guarda dos menores durante pelo menos três anos, nem a comunicar com os filhos.
Durante o julgamento, a defesa do casal argumentou que os pais “tomaram um conjunto de decisões erradas, mas não criminosas”, refere o El País.
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