Papa admite uso de contraceptivos

Recomendação visa vírus Zika. Francisco também critica Trump.

18 de fevereiro de 2016 às 17:32
Papa Francisco, Donald Trump, EUA, muro, imigração ilegal, México, Estados Unidos, religião Foto: Reuters
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O aborto é "um crime", mas a contraceção pode ser encarada, excecionalmente, como um mal menor, afirmou esta quinta-feira o papa Francisco, quando questionado sobre os meios de combate à epidemia do vírus Zika, associado a malformações em fetos.

"O aborto não é um mal menor, é um crime", enquanto "evitar uma gravidez não é um mal absoluto", disse Francisco, em declarações aos jornalistas durante a viagem de regresso ao Vaticano após a visita papal ao México, numa referência aos métodos contracetivos.

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Aos jornalistas, o pontífice fez a distinção entre o aborto e a contraceção, recordando que Paulo VI, papa entre 1963 e 1978, permitiu que religiosas no Congo, vítimas de violações por parte de soldados, usassem métodos de contraceção.

Estes casos excecionais não colocam em causa a doutrina do Vaticano, que sempre se opôs ao aborto e à contraceção, destacou o líder da Santa Sé.

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"Não se pode confundir o mal que consiste em evitar uma gravidez com o aborto. O aborto não é um problema teológico. É um problema humano, médico. Matamos uma pessoa para salvar outra. Este é um mal em si, não é um mal religioso, mas sim um mal humano", argumentou.

Ainda a propósito do vírus Zika, o papa exortou a comunidade médica "a fazer tudo o que é possível para encontrar uma vacina".

Críticas a Donald Trump

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O papa lamentou que o candidato republicano às primárias nos Estados Unidos Donald Trump seja uma pessoa que "só pensa em construir muros", acrescentando que "isso não é cristão".

Francisco respondia aos 76 jornalistas que o acompanhavam no avião de regresso do México a Roma, sobre se um católico poderia votar em alguém como Trump, que defende a expulsão de imigrantes e a ampliação da vala que separa os territórios mexicano e norte-americano.

"Sobre em quem se deve ou não deve votar, nisso não me meto", afirmou, acrescentando: "Só digo que esse homem não é cristão, se defende isso".

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Ao saber que Trump tinha dito que ele era um político, o papa comentou, com ironia: "Graças a Deus que eu sou um político, porque Aristóteles define o homem como um 'animal politicus'".

Donald Trump reagiu às afirmações do papa classificando-as como "vergonhosas".

"Que um líder religioso ponha em causa a fé de uma pessoa é vergonhoso", declarou o multimilionário norte-americano em comunicado.

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"Nenhum dirigente, nomeadamente um líder religioso, tem o direito de pôr em causa a religião ou a fé de outro homem", frisou.

Refundação da UE

"Onde estão hoje um Adenauer, um Schuman? Após duas guerras fundaram a União Europeia", recordou perante os jornalistas no avião onde viajou do México para o Vaticano.

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"A Europa tem uma tal força, uma tal cultura, que não deve ser delapidada. Deve ser feito tudo para que siga em frente", assinalou, quando a Europa se confronta desde há dois anos com muitas dúvidas e numerosos desafios que a dividem, desde a crise da dívida à gestão do fluxo de refugiados.

No avião, o papa insistiu na indispensável "refundação" do projeto global europeu.

A Europa "não deve ser a avó mas ser antes mãe" de novo, referiu. O papa indicou que receberá o prémio em maio, mas no Vaticano, e que o fará "pela Europa".

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