Parlamento chumba Brexit de Theresa May
Após o fracasso de janeiro, o segundo chumbo significa a rejeição definitiva do acordo assinado pela líder britânica com Bruxelas.
O parlamento britânico chumbou esta terça-feira, pela segunda vez, o acordo do Brexit assinado pela primeira-ministra Theresa May com a União Europeia (UE).
A somente 15 dias da data prevista para a saída britânica da UE, a nova derrota de May torna mais provável um adiamento forçado do Brexit e aumenta o risco de uma muito temida saída sem acordo.
À semelhança do que aconteceu na votação de 15 de janeiro, quando o acordo foi chumbado por 432 votos a 202, a votação de ontem resultou num novo chumbo expressivo: 391 deputados votaram contra o acordo, que teve somente 242 votos favoráveis. Cerca de 75 deputados conservadores votaram contra o acordo, um pouco menos do que os 118 de janeiro.
A ligeira melhoria do apoio ao acordo terá ficado a dever-se aos esforços de última hora de May, que foi a Estrasburgo na segunda-feira para obter da Comissão Europeia garantias legais destinadas a apaziguar os críticos.
Mas as garantias foram consideradas insuficientes e incapazes de solucionar a questão de fundo: a cláusula de salvaguarda destinada a evitar o regresso de uma fronteira física à Irlanda após o Brexit. Os críticos entendem que esta cláusula vai manter o Reino Unido acorrentado à UE indefinidamente.
"Lamento profundamente a decisão desta noite. Continuo convencida de que a melhor solução é sair com um acordo e que o melhor acordo é o que assinei com a UE", afirmou May.
A chefe de governo anunciou que dará liberdade de voto aos deputados conservadores nas votações seguintes, o que suscitou críticas imediatas do Partido Trabalhista, de Jeremy Corbyn.
"Permitir um voto livre sobre a possibilidade de sair sem um acordo é abandonar a pretensão de que lidera o país. Uma vez mais, coloca os interesses do partido acima dos interesses públicos", afirmaram os trabalhistas em comunicado.
PORMENORES
Decidir saída sem acordo
Após o chumbo do acordo, o parlamento britânico decide hoje se aceita uma saída da UE sem acordo, o chamado Brexit duro. Se recusarem esta possibilidade, os deputados votam amanhã um adiamento do Brexit para lá de 29 de março, a chamada extensão do Artigo 50.
Transição fica em risco
O negociador do Brexit pela UE, Michel Barnier, alertou ontem os britânicos "para as ilusões" e frisou que não haverá um período de transição para o Reino Unido após a saída da UE se o parlamento não aprovar primeiro um acordo de Brexit.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt