Parlamento rejeita Brexit sem acordo

Deputados afastam ‘saída dura’ da UE “sob qualquer cenário”, em mais uma estrondosa derrota para May.

14 de março de 2019 às 01:30
Theresa May voltou a sofrer uma importante derrota no Parlamento britânico Foto: EPA
Theresa May Foto: Reuters
Theresa May sai de Downing Street para novo debate sobre o Brexit no Parlamento Foto: EPA
Theresa May

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O Parlamento britânico infligiu esta quarta-feira mais uma dura humilhação à primeira-ministra Theresa May, ao rejeitar uma saída sem acordo da UE "sob qualquer cenário", tornando desta forma inevitável um adiamento do Brexit, que será votado hoje. May pretendia manter a possibilidade de uma saída sem acordo em aberto para pressionar Bruxelas.

A PM britânica tinha submetido a votação uma proposta para que o Parlamento rejeitasse uma saída sem acordo a 29 de março, mas que frisava que a posição legal por defeito continuava a ser um ‘Brexit duro’ se o Parlamento fosse incapaz de aprovar um acordo.

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No entanto, esta proposta acabou por nem sequer chegar a ser votada, porque um grupo de deputados rebeldes submeteu a votação, primeiro, uma emenda rejeitando a possibilidade de uma saída sem acordo em qualquer circunstância.

Esta emenda foi aprovada por 312 votos contra 308, apanhando May de surpresa e complicando os planos do governo. Uma segunda votação, já com a emenda incorporada no texto principal, teve uma votação ainda mais expressiva, 321 contra 278, isto apesar de May, em pânico, ter cancelado à última hora a liberdade de voto que tinha prometido aos deputados do seu partido.

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Ou seja, muitos conservadores desobedeceram às ordens de May para garantirem que o país em circunstância alguma deixará a UE sem um acordo.

Para May, a votação de ontem não muda o essencial: se os deputados rejeitam uma saída sem acordo, têm, então, de aprovar um acordo.

E frisou que se não o fizerem rapidamente, em vez de um adiamento ‘técnico’ até 30 de junho - é esta a proposta que vai ser votada hoje - o Reino Unido corre o risco de ter de pedir um adiamento mais prolongado, o que implica participar nas eleições europeias de maio e continuar a contribuir para os cofres europeus.

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PORMENORES 

Alternativas à força

Um grupo de deputados de vários partidos anunciou ontem que se a primeira-ministra, Theresa May, não propuser uma série de votações indicativas para avaliar qual a solução alternativa com mais consenso no Parlamento, eles próprios o farão.

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May perde a voz

A primeira-ministra não participou no debate que antecedeu as votações de ontem por ter perdido a voz na votação de terça- -feira, em que o seu acordo do Brexit voltou a ser rejeitado. A posição do governo foi defendida pelo ministro do Ambiente, Michael Gove.

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