Partido de Lula reconhece vitória de Maduro mas o brasileiro mantém cautela e fala hoje com Biden sobre a Venezuela

Presidente brasileiro mantinha silêncio, até esta terça-feira, sobre a alegada vitória do aliado e amigo venezuelano.

Lula da Silva Foto: Ricardo Moraes/Reuters
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Contrariando a postura cautelosa do governo e da diplomacia brasileira, o Partido dos Trabalhadores (PT), de Lula da Silva, reconheceu formalmente a reeleição do presidente Nicolás Maduro nas eleições do passado domingo na Venezuela, cujos resultados estão a ser questionados pela comunidade internacional. O reconhecimento foi feito em comunicado oficial da Comissão Executiva Nacional, o órgão máximo do partido de Lula, enquanto o presidente brasileiro, que deve falar ainda esta terça-feira com Joe Biden sobre o assunto, até esta terça-feira mantinha silêncio sobre a alegada vitória do aliado e amigo venezuelano.

No comunicado, que causou estranheza por o PT ser comandado de muito perto pelo próprio Lula da Silva e nada acontecer sem autorização do presidente, o partido diz que a reeleição de Nicolás Maduro foi uma clara expressão da democracia na Venezuela, e felicitou o país e as autoridades pela forma pacífica como decorreram as presidenciais deste domingo. No texto, o partido de Lula da Silva ainda diz esperar que o presidente Nicolás Maduro mantenha o que o PT chama de diálogo aberto com as forças de oposição para juntos resolverem os graves problemas da Venezuela, o que soou estranho uma vez que naquele país vizinho ao Brasil não há qualquer diálogo ou negociação entre as duas partes, e o governo de Maduro reprime brutalmente os opositores.

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Contrastando com a posição do seu próprio partido, Lula da Silva até à tarde desta terça-feira mantinha silêncio absoluto sobre a eleição na Venezuela, um silêncio já considerado excessivo por governos de vários países aliados ao Brasil, que avaliam que o líder da maior potência da América do Sul já deveria ter tomado alguma posição. Lula, que no que também já foi considerado um erro pela diplomacia brasileira enviou um assessor a Caracas para acompanhar as presidenciais venezuelanas, está à espera do regresso desse enviado especial, Celso Amorim, ao Brasil no final da tarde desta terça para se inteirar de forma mais ampla do que o seu conselheiro para assuntos internacionais constatou no país vizinho.

Também nesta tarde, pelo horário brasileiro, quando for perto das 19 e 30 em Lisboa, Lula e o presidente dos EUA, Joe Biden, vão conversar por telefone sobre a contestada reeleição de Maduro, a pedido do americano. Biden quer que Lula, que conhece bem Maduro e a realidade da Venezuela, lhe dê mais detalhes sobre o que realmente está a acontecer no país ao lado, e vai tentar que Brasil e EUA tomem uma posição comum ou próxima.

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Oficialmente, a posição do Brasil é esperar que a Venezuela divulgue as actas eleitorais, ou boletins eleitorais, como se diz no Brasil, em que se baseou para anunciar a vitória de Nicolás Maduro, que já foi até diplomado esta segunda-feira às pressas no meio de protestos de rua que já deixaram vários mortos. Fontes da oposição garantem que o candidato oposicionista Edmundo González Urrútia venceu as presidenciais com 70% dos votos, enquanto meios independentes avaliam que ele foi realmente o vencedor, mas com aproximadamente 66% dos votos, e que a vitória de Maduro foi fraudulenta.

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