Partido de Lula subornou deputados
O Partido dos Trabalhadores, no poder, subornou durante dois anos vários deputados de pelo menos dois partidos da base de sustentação parlamentar do executivo para garantir a vitória em votações de interesse do governo de Lula da Silva.
A denúncia caiu ontem como uma bomba na cena política brasileira, tanto mais que foi feita publicamente por um dos até agora mais fiéis aliados do governo e homem muito próximo a Lula, o deputado Roberto Jefferson, presidente do Partido Trabalhista Brasileiro, PTB.
Em entrevista exclusiva ao jornal “Folha de S. Paulo” de ontem, e já considerada nitroglicerina pura, Roberto Jefferson diz que deputados do Partido Progressista e do Partido Liberal, controlado pela Igreja Universal do Reino de Deus e partido do vice-presidente da República, José Alencar, receberam durante dois anos mensalmente o equivalente a dez mil euros cada um, para votarem a favor de projectos governamentais não muito populares. Segundo Jefferson, os pagamentos eram feitos pelo próprio tesoureiro nacional do Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva, Delúbio Soares, e já há algum tempo eram do conhecimento de pelo menos dois ministros, curiosamente os mais poderosos do governo, José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, e António Palocci, da Fazenda.
O pagamento da mensalidade de dez mil euros, ainda de acordo com Jefferson, começou em 2003, assim que Lula assumiu a presidência, e só terminou no início deste ano quando ele (Jefferson) contou pessoalmente a Lula o que estava a acontecer. Lula terá chorado muito, sempre segundo o deputado.
Jefferson tem estado sob fogo depois de a Imprensa brasileira ter denunciado um milionário esquema de contribuições ilegais forçadas de empresas públicas ao seu partido. O presidente Lula da Silva convocou uma reunião de emergência para discutir a questão das mensalidades.
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