Partido de Temer expulsa senadora que critica corrupção no governo brasileiro
Partido do Movimento Democrático Brasileiro acusa Kátia Abreu de "infidelidade e insurgência".
O Partido do Movimento Democrático Brasileiro, PMDB, do presidente Michel Temer, expulsou esta quinta-feira a senadora Kátia Abreu, que há muito denuncia e critica medidas do governo que considera contra a população mais pobre e a presença no executivo de vários acusados de corrupção. A decisão foi tomada em sessão extraordinária do Conselho de Ética do PMDB, que acusou Kátia Abreu de "infidelidade e insurgência" contra o partido.
A senadora, que foi ministra da Agricultura no governo da ex-presidente Dilma Rousseff em representação do PMDB mas se recusou a deixar o cargo quando Temer, então vice-presidente, rompeu com o executivo e começou a articular o impeachment de Dilma, é uma crítica firme da atual política económica e social. Ela tem criticado principalmente as propostas de reforma laboral e de reforma da segurança social, consideradas essenciais por Temer, classificando-as como um enorme retrocesso e uma flagrante retirada de direitos aos trabalhadores.
Kátia Abreu, que contrariou Temer e votou contra a destituição de Dilma, também tem criticado a corrupção que cerca o governo e muitos aliados, além do próprio presidente. Temer já foi alvo de duas denúncias da Procuradoria-Geral da República, por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça, denúncias que conseguiu travar no parlamento depois de disponibilizar milhares de milhões de euros para obras e projetos de deputados.
O próprio presidente do PMDB, Romero Jucá, que afirmou esta quinta-feira ir acatar imediatamente a decisão do Conselho de Ética de expulsar a senadora, é um dos campeões de processos por corrupção no Supremo Tribunal Federal e teve de deixar o cargo de ministro do Planeamento após denúncias de irregularidades. Entre os vários atuais ministros acusados de irregularidades estão os dois mais próximos a Temer, Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência.
A senadora, que já tinha sido ameaçada de represálias pela direção nacional do PMDB, recusou várias vezes deixar o partido e exigia que medidas fossem tomadas contra os aliados que são alvo de denúncias e de operações anti-corrupção, como a Lava Jato. Kátia Abreu está em viagem ao Qatar e só ao regressar ao Brasil deve decidir se interpõe recurso da expulsão ou se a aceita.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt