Pelo menos 283 moçambicanos agredidos e com casas queimadas na África do Sul
Atos de violência e intimidação registados durante as manifestações anti-imigrantes ocorridas esta terça-feira no país.
Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, avançou esta quarta-feira o Governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.
"Um total de 283 cidadãos moçambicanos foi afetado pelos atos de violência e intimidação registados durante as manifestações anti-imigrantes ocorridas esta terça-feira, 30 de junho, em diferentes províncias da República da África do Sul", lê-se num comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo.
Segundo este órgão, do total, 194 moçambicanos na região de Mamelodi, em Pretória perderam as suas residências, que foram incendiadas por manifestantes.
As vítimas encontram-se agora sob assistência do Alto Comissariado de Moçambique em Pretória, onde receberam apoio básico de alimentação, quando está em curso a organização da logística para o seu repatriamento.
Já na província de KwaZulu-Natal, outros 38 moçambicanos foram agredidos e forçados a abandonar as suas residências, estando agora sob proteção policial local enquanto se avança igualmente com o processo de repatriamento.
"Na província de Limpopo, 51 cidadãos moçambicanos procuraram abrigo num centro comunitário de desastres, na sequência de ataques e atos de intimidação, estando igualmente a ser acompanhados para efeitos de assistência e regresso ao país", lê-se no documento.
De acordo com o Gabinfo, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul acompanham a situação e continuam a prestar assistência e proteção consular aos cidadãos nacionais afetados pelos ataques xenófobos naquele país.
Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram ultimato até 30 de junho, terça-feira, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.
Antes, o Governo moçambicano admitiu desafios relativos ao repatriamento e reintegração de cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul, quando nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques.
O antigo estadista moçambicano Joaquim Chissano instou aos cidadãos nacionais para legalizarem a documentação como condição primordial para a trabalhar ou viver naquele país, assegurando a disponibilidade do Governo para apoiar no processo.
Já o político moçambicano Venâncio Mondlane afirmou que não se pode responsabilizar apenas a África do Sul pela atual onda de xenofobia no país, apontando também falhas na gestão da imigração no continente.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.
Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que "milhares" já regressaram ao país face à violência.
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