Pelo menos um milhão de votos manipulados na Venezuela
Garantia é dada pela empresa Smartmatic, que instalou máquinas nas urnas.
Os dados da participação na eleição para a Assembleia Constituinte, realizada no domingo passado na Venezuela, foram "manipulados", denunciou esta quarta-feira em Londres a empresa responsável pela contagem dos votos do escrutínio.
"Com base na robustez do nosso método, sabemos, sem qualquer dúvida, que [os números da] a afluência às urnas na recente eleição para a Assembleia Constituinte Nacional foi manipulada", disse Antonio Mugicala, diretor-executivo da SmartMatic, numa conferência de imprensa na capital britânica.
O representante da empresa britânica indicou que "a diferença entre a participação real e a anunciada pelas autoridades é de pelo menos um milhão de votos".
Segundo as autoridades venezuelanas, mais de oito milhões de eleitores, cerca de 41,5% dos eleitores inscritos, participaram no escrutínio de domingo.
A eleição foi boicotada pela oposição venezuelana, que alega que o ato eleitoral é um caminho para prolongar o poder do Presidente venezuelano, Nicolas Maduro, cujo mandato termina em 2019.
Sublinhando que a SmartMatic participa na organização de eleições na Venezuela "desde 2004", Antonio Mugicala explicou na mesma conferência de imprensa que "o sistema eleitoral automatizado" desenvolvido pela empresa foi projetado para "identificar qualquer manipulação de resultados".
Nos últimos 13 anos, a SmartMatic tem sido contratada para fornecer a plataforma tecnológica de votação e serviços associados nas eleições na Venezuela, incluindo no controverso ato eleitoral realizado no domingo passado.
A empresa britânica argumenta que a eleição para a Assembleia Constituinte não contou com a presença de auditores dos partidos da oposição, que são fundamentais para testemunhar o processo eleitoral e garantir a validade dos resultados.
Os resultados apresentados pelo sistema "podem ser ignorados pelas autoridades, que podem anunciar resultados falsos em seu lugar", referiu o representante da empresa.
Durante a eleição para a Assembleia Constituinte, "a oposição não participou" no controlo dos resultados, frisou Mugicala.
A eleição dos 545 membros da Assembleia Constituinte foi fortemente condenada pela União Europeia (UE) que, na segunda-feira, expressou "sérias dúvidas" sobre a validade dos resultados do escrutínio.
A eleição de domingo decorreu sob uma forte vigilância militar e ficou marcada por violentos confrontos entre os opositores de Maduro e as forças de segurança venezuelanas. Os confrontos registados em Caracas e em outras cidades da Venezuela fizeram 10 mortos.
A vaga de contestação contra o regime de Maduro começou há quatro meses e mais de 120 pessoas já perderam a vida.
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