Pelo menos uma morte em Moçambique devido ao ciclone Chido

Autoridades moçambicanas admitiram que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderão ser afetadas.

15 de dezembro de 2024 às 23:54
ciclone Chido Foto: Chafion Madi/Reuters
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Uma jovem de 18 anos morreu este domingo em Eráti, província moçambicana de Nampula, na sequência da passagem do ciclone tropical Chido, reportou a Organização Não-Governamental (ONG) ActionAid.

Num relatório divulgado ao início da noite, aquela ONG refere que a morte aconteceu no posto administrativo de Alua, na comunidade de Namirujo, no qual "várias famílias viram as suas casas destruídas", total e parcialmente.

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Acrescenta que os ativistas do projeto "Proteção de Deslocados Internos e Comunidades Acolhedoras", implementado pela Associação ActionAid Moçambique com financiamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), baseados nas comunidades afetadas pelo ciclone, "estão a apoiar as famílias, reforçando a proteção das habitações, fornecendo apoio psicossocial e transmitindo mensagens de prevenção".

No mesmo balanço é sublinhado que a tempestade "está a enfraquecer, mas os ventos fortes continuam a fazer-se sentir em diversos bairros, onde a população tenta garantir condições mínimas de abrigo para passar a noite, enquanto muitos procuram espaços seguros para se alojar".

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"Tal como em Eráti, o distrito de Memba também foi afetado pela tempestade, que deixou um rasto de destruição", conclui.

Em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, há registo de infraestruturas públicas e privadas destruídas, casas, postes de energia e árvores derrubadas que bloqueiam algumas artérias.

Cerca de 200 mil clientes estão sem eletricidade nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, norte de Moçambique, devido aos efeitos da passagem do ciclone Chido, divulgou este domingo à tarde a elétrica estatal EDM.

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A Eletricidade de Moçambique (EDM) explica, em comunicado, que a situação verifica-se desde a noite de sábado e afeta os distritos de Mecufi, Metuge, Macomia, Quissanga, Ilha do Ibo, Muidumbe, Mueda, Nangade, Palma, Mocímboa da Praia, Chiúre, Ancuabe, Montepuez, Namuno e Meluco, além da cidade capital de província, Pemba, em Cabo Delgado, bem como Eráti e Memba, em Nampula.

"Apesar de o mau tempo persistir, dificultando os acessos e as comunicações, os técnicos da EDM estão no terreno a realizar trabalhos de intervenção no equipamento danificado ou com anomalia para permitir o restabelecimento do fornecimento às zonas afetadas o mais breve possível", garante a empresa.

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O ciclone tropical intenso Chido, de escala 3 (1 a 5), atingiu a zona costeira do norte de Moçambique na noite de sábado para domingo, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CNOE), "enfraqueceu para tempestade tropical severa", mas "continua a fustigar" aquelas duas províncias do norte, com "chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas, acompanhada de trovoadas e ventos com rajadas muito fortes".

"Este cenário apresenta elevado risco de inundações urbanas e erosão nas cidades de Pemba, Nacala e Lichinga, assim como em áreas baixas e ribeirinhas das bacias dos rios Muaguide, Megaruma, Lúrio", refere a informação do CNOE, consultada pela Lusa.

A companhia aérea LAM já cancelou este domingo pelo menos três voos com destino à região norte de Moçambique.

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Equipas de apoio humanitário das Nações Unidas foram mobilizadas para Cabo Delgado, face à aproximação do ciclone.

As autoridades moçambicanas admitiram, na quinta-feira, que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderão ser afetadas pelo ciclone Chido nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte, e na Zambézia e Tete, no centro.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

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O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.

Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo.

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