Pelo menos uma morte em Moçambique devido ao ciclone Chido
Autoridades moçambicanas admitiram que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderão ser afetadas.
Uma jovem de 18 anos morreu este domingo em Eráti, província moçambicana de Nampula, na sequência da passagem do ciclone tropical Chido, reportou a Organização Não-Governamental (ONG) ActionAid.
Num relatório divulgado ao início da noite, aquela ONG refere que a morte aconteceu no posto administrativo de Alua, na comunidade de Namirujo, no qual "várias famílias viram as suas casas destruídas", total e parcialmente.
Acrescenta que os ativistas do projeto "Proteção de Deslocados Internos e Comunidades Acolhedoras", implementado pela Associação ActionAid Moçambique com financiamento do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), baseados nas comunidades afetadas pelo ciclone, "estão a apoiar as famílias, reforçando a proteção das habitações, fornecendo apoio psicossocial e transmitindo mensagens de prevenção".
No mesmo balanço é sublinhado que a tempestade "está a enfraquecer, mas os ventos fortes continuam a fazer-se sentir em diversos bairros, onde a população tenta garantir condições mínimas de abrigo para passar a noite, enquanto muitos procuram espaços seguros para se alojar".
"Tal como em Eráti, o distrito de Memba também foi afetado pela tempestade, que deixou um rasto de destruição", conclui.
Em Pemba, capital da província de Cabo Delgado, há registo de infraestruturas públicas e privadas destruídas, casas, postes de energia e árvores derrubadas que bloqueiam algumas artérias.
Cerca de 200 mil clientes estão sem eletricidade nas províncias de Nampula e Cabo Delgado, norte de Moçambique, devido aos efeitos da passagem do ciclone Chido, divulgou este domingo à tarde a elétrica estatal EDM.
A Eletricidade de Moçambique (EDM) explica, em comunicado, que a situação verifica-se desde a noite de sábado e afeta os distritos de Mecufi, Metuge, Macomia, Quissanga, Ilha do Ibo, Muidumbe, Mueda, Nangade, Palma, Mocímboa da Praia, Chiúre, Ancuabe, Montepuez, Namuno e Meluco, além da cidade capital de província, Pemba, em Cabo Delgado, bem como Eráti e Memba, em Nampula.
"Apesar de o mau tempo persistir, dificultando os acessos e as comunicações, os técnicos da EDM estão no terreno a realizar trabalhos de intervenção no equipamento danificado ou com anomalia para permitir o restabelecimento do fornecimento às zonas afetadas o mais breve possível", garante a empresa.
O ciclone tropical intenso Chido, de escala 3 (1 a 5), atingiu a zona costeira do norte de Moçambique na noite de sábado para domingo, segundo o Centro Nacional Operativo de Emergência (CNOE), "enfraqueceu para tempestade tropical severa", mas "continua a fustigar" aquelas duas províncias do norte, com "chuvas muito fortes acima de 250 mm [milímetros]/24 horas, acompanhada de trovoadas e ventos com rajadas muito fortes".
"Este cenário apresenta elevado risco de inundações urbanas e erosão nas cidades de Pemba, Nacala e Lichinga, assim como em áreas baixas e ribeirinhas das bacias dos rios Muaguide, Megaruma, Lúrio", refere a informação do CNOE, consultada pela Lusa.
A companhia aérea LAM já cancelou este domingo pelo menos três voos com destino à região norte de Moçambique.
Equipas de apoio humanitário das Nações Unidas foram mobilizadas para Cabo Delgado, face à aproximação do ciclone.
As autoridades moçambicanas admitiram, na quinta-feira, que cerca de 2,5 milhões de pessoas poderão ser afetadas pelo ciclone Chido nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte, e na Zambézia e Tete, no centro.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O período chuvoso de 2018/2019 foi dos mais severos de que há memória em Moçambique: 714 pessoas morreram, incluindo 648 vítimas dos ciclones Idai e Kenneth, dois dos maiores de sempre a atingir o país.
Já na primeira metade de 2023, as chuvas intensas e a passagem do ciclone Freddy provocaram 306 mortos, afetaram mais de 1,3 milhões de pessoas, destruíram 236 mil casas e 3.200 salas de aula, de acordo com dados oficiais do Governo.
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