Perguntas e respostas que ajudam a compreender o surto de hantavírus no navio cruzeiro Hondius
Surto já causou três mortes e três pessoas que suscitam suspeitas foram, esta quarta-feira, retiradas da embarcação.
O surto de hantavírus identificado no navio de cruzeiro MV Hondius, ancorado ao largo de Cabo Verde, já causou três mortes e três pessoas que suscitam suspeitas foram, esta quarta-feira, retiradas da embarcação.
Duas outras pessoas estão hospitalizadas, uma em Zurique, na Suíça, e outra em Joanesburgo, na África do Sul, cujo ministro da Saúde informou, esta quarta-feira, que a estirpe de hantavírus detetada no doente é a Andes, a única conhecida como sendo transmissível entre humanos.
Eis as principais perguntas e respostas sobre os hantavírus, de acordo com informação disponibilizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS):
O que são os hantavírus?
Os hantavírus são vírus zoonóticos - que podem ser transmitidos entre animais e humanos - estando cada um deles "tipicamente associado a uma espécie específica de roedor reservatório, na qual o vírus causa uma infeção de longa duração sem sintomas aparentes".
Como se transmitem?
A transmissão de hantavírus aos humanos ocorre através do contacto com urina, fezes ou saliva de roedores infetados, principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar. A infeção também pode ocorrer, embora menos frequentemente, através de mordeduras dos animais. O risco de exposição é por isso maior em atividades que envolvem o contacto com roedores, como a limpeza de espaços fechados ou mal ventilados, a agricultura, o trabalho florestal e o sono em habitações infestadas por roedores.
As infeções de pessoas por hantavírus são raras?
Sabe-se que um número limitado das muitas espécies de hantavírus identificadas em todo o mundo causa doença em humanos. No caso do vírus Andes, encontrado na América do Sul, foi documentada uma transmissão limitada de pessoa para pessoa entre contactos próximos e prolongados. Segundo a OMS, "as infeções por hantavírus são relativamente incomuns a nível global, mas estão associadas a uma taxa de letalidade de <1--15% na Ásia e na Europa e de até 50% nas Américas". Em todo o mundo, estima-se que ocorram anualmente de 10.000 a mais de 100.000 infeções por ano, com maior incidência na Ásia e na Europa.
Que doenças causam?
Os hantavírus existentes na América do Norte, Central e do Sul podem causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus (SCPH), uma doença respiratória grave. Os encontrados na Europa e na Ásia causam febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR), indicando a OMS que "a transmissão de pessoa para pessoa não foi documentada nesta parte do mundo".
Quais os sintomas da doença?
Nos humanos, os sintomas começam geralmente entre uma e oito semanas após a exposição e incluem tipicamente febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vómitos. No caso da síndrome cardiopulmonar por hantavírus, "a doença pode progredir rapidamente" e provocar "tosse, falta de ar, acumulação de líquido nos pulmões e choque". Na síndrome hemorrágica com insuficiência renal (SHIR), os estádios mais avançados podem incluir pressão arterial baixa, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal. O diagnóstico precoce da infeção por hantavírus pode não ser fácil, dado que "os sintomas iniciais são comuns a outras doenças febris ou respiratórias, como a gripe, a covid-19, a pneumonia viral, leptospirose, dengue ou sépsis".
Qual o tratamento?
Não existe tratamento antiviral específico ou vacina licenciada para a infeção por hantavírus, indica a OMS, acrescentando que "o tratamento é de suporte e centra-se na monitorização clínica rigorosa e no controlo das complicações respiratórias, cardíacas e renais".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt