Piloto decidiu fazer voo direto e não parar para reabastecer
Responsável da LaMia diz que plano de voo previa paragem para reabastecer, mas piloto optou por não fazer qualquer escala.
O plano de voo do avião que transportava o Chapecoense previa a possibilidade de uma paragem para reabastecimento, mas o piloto terá decido fazer um voo direto entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín, numa distância de quase 3 mil quilómetros, o limite da autonomia da aeronave. Dados preocupantes, que reforçam a tese de que o avião se despenhou por falta de combustível.
A revelação de que o plano de voo previa a hipótese de uma escala para reabastecimento foi avançada pelo general boliviano Gustavo Vargas, diretor da LaMia e sócio de Miguel Quiroga, o piloto do avião acidentado.
De acordo com Vargas, o plano de voo indicava as cidades de Cobija, na Bolívia, e Bogotá, na Colômbia, como possíveis escalas para reabastecimento. A decisão cabia ao piloto, que aparentemente optou por não seguir a recomendação e fazer um voo direto entre Santa Cruz de La Sierra e Medellín.
Trata-se de uma decisão arriscada e, no mínimo, imprudente para um piloto com a experiência de Quiroga. Em linha reta, a distância entre as duas cidades é de 2975 quilómetros, mas o avião, um Avro RJ85, tem uma autonomia máxima de 3000 quilómetros, o que deixa pouquíssima margem de manobra.
O consumo de combustível varia consoante vários fatores, como a altitude, o vento e as condições meteorológicas, mas a opinião de vários peritos é de que a margem era demasiado curta. "Tudo indica que o avião ficou sem combustível", disse o diretor do Sindicato do Controladores Aéreos da Colômbia.
Esta possibilidade é reforçada pela inexistência de explosão no embate, o que indica que os tanques estavam vazios. Inicialmente pensou-se que o piloto teria esvaziado os tanques antes da queda para evitar a explosão, mas os peritos inclinam-se cada vez mais para a hipótese de o avião ter ficado sem combustível em pleno voo.
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