Polícia divulga vídeos de homem abatido por agentes
Morte do negro Alfred Olango gera nova onde de contestação na América.
Numa tentativa de desencorajar a onda de indignação e protestos, após a morte de mais um cidadão negro às mãos de agente policiais, a polícia de El Cajon, na Califórnia, divulgou esta sexta-feira dois vídeos que mostram a morte de Alfred Orango.
O homem de 38 anos foi abatido na terça-feira, quando vagueava pelas ruas da cidade americana, perturbando o trânsito. É abordado por dois agentes, que, diz a versão oficial da polícia, lhe pedem repetidamente para tirar as mãos dos bolsos e não resistir. Acaba por ser baleado quando tira bruscamente a mão do bolso e aponta um objeto ao polícia que está à sua frente. Percebeu-se depois que se tratava de um cigarro eletrónico.
Uma imagem divulgada mais tarde pela polícia mostra que o objeto em questão levou o agente a julgar que se tratava de uma arma.
Os vídeos, um captado por uma câmara de segurança de um restaurante e outro a partir do telemóvel de uma senhora que assistiu à cena, não são muito esclarecedores. Percebe-se que Orango está a ser avisado e, bruscamente, ouvem-se quatro tiros que o derrubam. Numa das filmagens ouve-se uma senhora gritar "sr. agente não dispare!", momentos antes dos tiros.
A polícia anuncia que a investigação à morte de Alfred Orango ainda está em curso e lamenta o sucedido. Os agentes em causa são Richard Gonsalves e Josh McDaniel, ambos com 21 anos de serviço policial, que responderam a alertas do comportamento errático de Orango. Gonsalves disparou a sua pistola e McDaniel uma arma elétrica 'taser' quando Orango lhe aponto uma máquina de 'vaping'. A polícia divulgou uma foto em que se vê Orango a apontar o aparelho a Gonsalves como se fosse uma arma.
Alfred Orango, nascido no Uganda, sofria de perturbações mentais e a família diz que estava a atravessar uma crise. A sua morte tem levado a várias manifestações na cidade, tendo a polícia detido duas pessoas na quinta-feira, devido a distúrbios numa manifestação. A contestação alimenta os movimentos dos que, nos Estados Unidos, acusam as forças policiais de ter uma conduta agressiva e discriminatória contra os cidadãos negros.
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