Polícia do Brasil descobre plano de fação para atentados terroristas e rapto de autoridades
Plano foi descoberto através da interceção de algumas conversas de telemóvel entre chefes.
A Polícia Federal brasileira (PF) anunciou ter descoberto e desarticulado um plano da fação criminosa PCC, Primeiro Comando da Capital, que se originou em São Paulo mas se espalhou por todo o Brasil e diversos outros países, para desencadear atentados à bomba contra órgãos públicos e para raptar autoridades. O plano era criar um clima de pânico generalizado ainda durante a campanha para as presidenciais do próximo dia 28 de outubro, e forçar a justiça e o governo central a libertar os chefes da fação e a dar regalias aos que continuassem presos.
O plano foi descoberto através da interceção de algumas conversas de telemóvel entre chefes de fação presos, e ainda de fragmentos de bilhetes enviados por criminosos a outros líderes da organização. Agentes dos serviços prisionais e da polícia instalaram redes nos esgotos de várias prisões e conseguiram intercetar e reconstruir mensagens que os criminosos, depois de lerem, tinham rasgado e atirado para a sanita.
Foi Beira-Mar quem relatou a "Vida Louca" que as Farc conseguiam obter privilégios e a libertação de presos através de atentados e rapto de autoridades, e o criminoso de São Paulo adotou a ideia. Ao ser transferido tempos depois para uma outra penitenciária federal, a de Porto Velho, no estado de Rondónia, norte do Brasil, Pacheco começou a estruturar o plano e a dividi-lo com outros dois altos líderes da fação.
O primeiro alvo dos criminosos, segundo o plano detalhado pela PF, seria explodir um carro-bomba repleto de dinamite no estacionamento da sede do Depen, em Brasília, e exigir em seguida, entre outras reivindicações e sob a ameaça de novos ataques, o regresso da autorização para os presos das cadeias de alta segurança voltarem a receber as mulheres e as namoradas para visitas íntimas, e para que as conversas deles com os advogados deixassem de ser gravadas. Se as autoridades não cedessem, seriam explodidos outros edifícios públicos, entre os quais tribunais federais e prédios do governo, e torres de energia que abastecem grandes áreas industriais e cidades importantes.
Ao mesmo tempo, na outra vertente do plano, autoridades importantes do judiciário e do governo seriam raptadas, e a fação exigiria em troca delas a libertação de chefões da organização. Ainda segundo as informações avançadas pela PF, a rotina de várias autoridades e outros altos funcionários públicos, que não tiveram os nomes divulgados, já tinha sido investigada para facilitar os raptos.
A Polícia Federal garante que desarticulou todo o plano e as possíveis células que o iriam executar. Todos os criminosos que participaram na elaboração desse terrível plano foram enviados para o chamado RDD, Regime Disciplinar Diferenciado, no qual o preso fica isolado por até um ano, sem qualquer comunicação com o mundo exterior ou com outros presos, fica sem visitas e perde o direito ao chamado banho de sol, quando os reclusos saem da cela por duas horas para apanharem sol no pátio da cadeia.
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