Polícia do Rio mata homem após confundir guarda-chuva com arma

Empregado de mesa, de 26 anos, foi morto a tiro por agentes quando chegava a casa.

18 de setembro de 2018 às 23:03
Polícia do Rio mata homem após confundir guarda-chuva com arma Foto: Facebook
Polícia brasileira Foto: Getty Images
Polícia brasileira Foto: Getty Images

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Num novo erro grotesco e fatal da polícia da cidade do Rio de Janeiro, um empregado de mesa de 26 anos foi morto a tiro por agentes quando chegava a casa, no Morro Chapéu Mangueira, no bairro do Leme, zona sul daquela cidade brasileira. Segundo testemunhas, os agentes, que depois forjaram um confronto, confundiram o guarda-chuva da vítima com uma arma de guerra e atiraram.

Rodrigo Alexandre Silva Serrano voltava para casa na noite desta segunda-feira depois de mais um dia de trabalho no restaurante Tap House, em Ipanema, onde tinha conseguido emprego em 15 de Agosto passado. Ele levava colada ao corpo uma bolsa-mochila do tipo conhecido como Canguru, onde costumava levar o filho, e nas mãos tinha um guarda-chuva.

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Ao subir o morro a pé, enquanto a mulher e outros familiares com quem tinha ido ao supermercado subiam numa carrinha de passageiros, Rodrigo foi alvejado com três tiros, um deles no abdómen, por agentes da Polícia Militar. Levado ainda com vida ao Hospital Miguel Couto, na Gávea, também na zona sul da capital fluminense, ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

Testemunhas de mais este erro da violenta polícia do Rio afirmaram que os agentes confundiram o guarda-chuva do malogrado empregado de mesa com um fuzil de guerra, como os usados por traficantes que controlam boa parte das favelas da cidade. A inofensiva bolsa Canguru, foi confundida com um colete balístico, também usualmente utilizado por criminosos, além da própria polícia.

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Revoltando ainda mais a família e habitantes do Chapéu Mangueira, os agentes que mataram Rodrigo, ao perceberem o erro, forjaram uma situação de confronto que, garantem os moradores, não existiu. No seu relatório, entregue pouco depois na Divisão de Copacabana da polícia, os agentes afirmaram que ao se aproximarem de Rodrigo foram atacados com tiros de arma de guerra e foram forçados a disparar também, em legítima defesa.

No final desta terça-feira, quase 24 horas após o crime, a mulher de Rodrigo, Taíssa Freitas, ainda não tinha sido ouvida nem tinha conseguido registar queixa pelo homicídio, pois para a polícia o marido, de acordo com o relatório dos agentes, era um criminoso que foi morto em confronto com forças de segurança.Ela e outros familiares de Rodrigo procuraram o Ministério Público e representantes da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para denunciarem o crime.

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