Português herói ferido em ataque do Daesh em Moçambique
Vítima trabalha para empresa dedicada à exploração de gás natural. Foi baleado numa perna ao ajudar pessoas.
Um português de 50 anos, funcionário de uma empresa subcontratada para exploração de gás natural, foi baleado numa perna durante um cerco de terroristas ligados ao Daesh no Norte de Moçambique. A vítima, que estava este sábado internada numa clínica da cidade de Pemba, fora de perigo, e a aguardar evacuação para a África do Sul, foi elogiada pelos patrões por ter ajudado diversas pessoas no meio do pânico causado pelos terroristas.
O ataque ocorreu em Palma, província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique. Desde quarta-feira que a pequena localidade está debaixo de fogo dos terroristas do Daesh, que há mais de 3 anos se insurgem contra o governo moçambicano, numa rebelião que já causou centenas de mortos. Os moradores que escaparam ao terror dos criminosos (há registo de pessoas abatidas a tiro, e decapitadas), esconderam-se no hotel Amarula, uma estância turística . Foi nesta unidade que também procuraram refúgio inúmeros trabalhadores de explorações de gás natural que ali existem, em que estão incluídos vários portugueses.
Ao final da tarde de sexta-feira foi constituída uma caravana de 200 pessoas, que procuraram uma abertura para fugir de Palma. O trabalhador português ajudou, segundo foi referido pelos patrões, diversas pessoas a abandonarem o hotel. Foi neste momento que um comando do Daesh abriu fogo sobre as viaturas, ferindo-o numa perna. O trabalhador conseguiu, mesmo assim, abandonar o local a pé inserido num grupo grande. Terá feito mais de 20 quilómetros a pé no areal das praias, até chegar à península de Afungi. Aqui, foi recolhido na exploração petrolífera que a Total está a construir na zona. De lá, foi evacuado de helicóptero para uma clínica em Pemba, onde recebeu assistência. Este sábado à tarde, aguardava evacuação para outra unidade de saúde na África do Sul.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse este sábado estar a acompanhar a situação da vítima portuguesa em Cabo Delgado. “Foi menos grave do que se previa”, disse.
Fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse ao CM que a embaixada lusa em Maputo está a tentar identificar mais portugueses vítimas do terrorismo.
O ataque no qual o português foi ferido a tiro, em Palma, causou a morte a sete pessoas.
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