Presença de ministro russo convidado pelos EUA cria mal-estar na cimeira do G-20
EUA organizam este ano várias reuniões no âmbito do G-20, que inclui Estados como China, Índia, Japão ou França, no seu território.
A presença surpreendente de um ministro russo lançou uma sombra na cimeira do G-20 que encerra esta terça-feira nos EUA, no momento em que Washington espera que os seus aliados se juntem à sua ofensiva económica contra o Irão.
A participação do ministro das Finanças, Anton Silouanov "criou mal-estar, sem qualquer dúvida", disse o homólogo canadiano, François-Philippe Champagne, em entrevista à AFP.
Por hábito, 'persona non grata' entre os Estados ocidentais, o ministro de Vladimir Putin esteve presente na segunda-feira e esta terça-feira na cimeira que junta os ministros das Finanças das grandes economias mundiais em Asheville, no Estado da Carolina do Norte.
Por convite dos EUA, esteve na grande mesa oval que juntou as dezenas de delegados, em um majestoso complexo hoteleiro.
Reuniu-se pessoalmente com o homologo dos EUA, Scott Bessent, anfitrião do evento e personalidade central no governo de Donald Trump, mais favorável a Moscovo do que o antecessor, Joe Biden.
Os europeus ficaram abalados mais a mais quando a Federação Russa bombardeia sem parar o seu aliado Ucrânia, e a União Europeia conseguiu excluir Silouanov da tradicional foto de família. Coisa rara: os jornalistas foram mantidos à distância quando esta foi feita.
"Este não é o momento de normalizar a Federação Russa ou a sua presença nesta reunião", disse esta terça-feira de manhã aos jornalistas o comissário europeu Valdis Dombrovskis.
Os EUA organizam este ano várias reuniões no âmbito do G-20, que inclui Estados como China, Índia, Japão ou França, no seu território.
Na dos ministros das Finanças, Bessent realçou as suas políticas, descrevendo-as como combustível para o crescimento, e procurou convencer os presentes a isolarem mais o Irão.
"Muito poucas reuniões recentes do G-20 terminaram com avanços significativos, e é pouco provável que esta seja exceção", disse James Lindsay, do grupo de reflexão Council on Foreign Relations, à AFP.
Não pensa que esta cimeira tenha "a receita do sucesso", dado o "descontentamento de numerosos ministros do G-20 face à participação do ministro russo das Finanças ou a exclusão da África do Sul".
Membro permanente do grupo, tal como a Federação Russa, a África do Sul foi afastada pelos EUA, eu acusam regularmente, sem prova, as autoridades sul-africanas de perseguir os rancheiros brancos.
Por outro lado, os organizadores recusaram a acreditação a vários jornalistas de títulos como o New York Times, o Wall Street Journal ou a agência noticiosa Bloomberg.
"A cimeira de dezembro anuncia-se complicada", antevê James Lindsay, citando as "grandes divergências entre os EUA e a China, mas também entre os EUA e os aliados".
Washington impôs recentemente direitos alfandegários punitivos sobre exportações do Canadá, que respondeu como uma série de sobretaxas, que devem entrar em vigor em 8 setembro.
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