Presidente angolano: "Dívida financiou enriquecimento ilícito"
João Lourenço diz “não ser aceitável” que empresas públicas como a Sonangol tenham sido usadas.
O líder do MPLA e presidente angolano João Lourenço disse este sábado, na abertura do 7º Congresso Extraordinário do maior partido angolano, que a dívida externa do país atingiu um nível tão elevado porque foi usada "para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita".
Fazendo um balanço das últimas décadas, Lourenço lembrou que o país "teve de se endividar bastante" devido ao grande esforço de reconstrução nacional após a guerra civil, mas acrescentou que a dívida pública e a dívida externa só atingiram "estes níveis tão altos" porque serviram também "para financiar o enriquecimento ilícito de uma elite restrita, muito bem selecionada, na base do parentesco, do amiguismo e do compadrio, que constituíram aglomerados empresariais com esses dinheiros públicos".
Esta situação, continuou, faz com que, por cada dólar de restituição da referida dívida, Angola esteja igualmente a pagar esses investimentos "ditos privados, na banca, na telefonia móvel, nos media, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção e outros que uns poucos fizeram com dinheiros públicos".
"Não é aceitável e não podemos nos conformar com o facto de se ter chegado ao ponto de colocar empresas públicas, como a Sonangol e a Sodiam, a financiar também alguns desses negócios privados como se de instituições de crédito se tratassem", frisou, prometendo que a inversão desta situação - "uma batalha ainda não ganha", referiu - irá permitir que estes e outros recursos sirvam para "combater melhor a pobreza".
Lourenço fez ainda um apelo à renovação do partido, que precisa de dirigentes "que não esperam encontrar regalias, facilidades ou privilégios" e saibam que ser membro do Comité Central "exige mais trabalho, mais responsabilidade e melhor conduta social".
PORMENORES
Combate minado
O Secretário de Estado da Comunicação Social, Celoso Malovoloneke, disse à Lusa que é possível levar o combate à corrupção "muito mais além", mas admitiu que há "forças do passado" que estão a reorganizar- -se para minar o processo "de forma sistemática".
"Declaração de intenções"
Franco Marcolina Nhani, dirigente da UNITA (oposição) considerou que a intervenção do presidente angolano "foi mais um conjunto de declarações de intenções" e que as políticas do governo "não têm impacto na vida real dos cidadãos".
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