Presidente chinês pede novo sistema energético e reforço da segurança energética
Pedido deve-se aos constrangimentos provocados pelo conflito no Médio Oriente.
O Presidente chinês, Xi Jinping, defendeu esta terça-feira a construção de um "novo sistema energético" e o reforço da segurança energética do país, num contexto de perturbações no fornecimento de combustíveis fósseis, causado pelo conflito no Médio Oriente.
Sem referir diretamente a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, Xi sublinhou que a China deve "acelerar o planeamento e a construção de um novo sistema energético" e reforçar a segurança, numa fase em que Pequim aposta na diversificação das fontes de abastecimento, noticiou a televisão estatal CCTV.
O chefe de Estado apelou ao desenvolvimento "ativo, seguro e ordenado" da energia nuclear e ao reforço de um sistema integrado de produção, fornecimento, armazenamento e comercialização de energia.
As declarações surgem após semanas de instabilidade no Médio Oriente, onde a guerra envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos tem afetado o tráfego marítimo e pressionado o preço do petróleo, devido ao bloqueio de facto do Estreito de Ormuz.
Segundo a CCTV, nos primeiros meses do novo plano quinquenal aprovado em março, que orienta a segunda maior economia mundial nos próximos cinco anos, a China tem acelerado a construção de infraestruturas energéticas de nova geração, com o objetivo de reforçar a cadeia de abastecimento e promover um desenvolvimento mais verde e de baixas emissões.
No final de fevereiro, a capacidade instalada de energia eólica e solar atingia 1.880 milhões de quilowatts, um aumento de 28,8% em termos homólogos, enquanto a produção elétrica a partir de fontes renováveis já representa cerca de 40% do total nacional.
Xi Jinping salientou recentemente que o carvão continua a ser a "base energética" da China, devendo desempenhar um papel de suporte.
O conflito, em escalada desde finais de fevereiro, tem incluído ataques a infraestruturas energéticas e afetado o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde, em circunstâncias normais, transita cerca de 20% do petróleo mundial e aproximadamente 45% das importações chinesas de petróleo e gás.
A guerra já teve impacto direto na China, ao aumentar os custos energéticos e logísticos, levando mesmo as autoridades a intervir temporariamente nos preços internos dos combustíveis.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês indicou recentemente que alguns navios chineses conseguiram atravessar o estreito após coordenação com as partes envolvidas.
Pequim tem condenado repetidamente os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, ao mesmo tempo que sublinha a necessidade de respeitar a soberania dos países do Golfo, com os quais mantém estreitas relações políticas, comerciais e energéticas.
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