Primeira-ministra italiana acusa jornais de má-fé após publicação de foto com mafioso
Giorgia Meloni reitera luta contra a máfia e reage à divulgação da imagem em que aparece ao lado de um membro do "clã Senese".
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, reiterou esta terça-feira o seu empenho na luta contra a máfia, após a publicação de uma foto sua com um destacado membro de um clã mafioso por vários jornais, que acusou de má-fé.
"Hoje, a 'equipa editorial única', composta por Il Fatto Quotidiano, La Repubblica, Fanpage e Report, está a mostrar uma foto minha com um membro do crime organizado para sustentar a tese bizarra de que estou próxima de círculos criminosos", deplorou Meloni numa publicação na sua conta oficial na rede social X.
Giorgia Meloni reagia à divulgação de uma fotografia onde surge ao lado de um membro do "clã Senese", Gioacchino Amico, que se tornou "arrependido" e encontra-se atualmente a colaborar com a justiça.
Comentando os artigos que dão conta de uma alegada estratégia do clã mafioso para se infiltrar no partido pós-fascista Irmãos de Itália liderado por Meloni, acusou os órgãos de comunicação social de "estabelecem uma ligação" com acontecimentos envolvendo o seu pai, "para provar sabe-se lá que tipo de envolvimento com o crime organizado", apesar de ter deixado de ter contacto com ele aos 11 anos.
"Em décadas de atividade política, existem dezenas de milhares de fotos minhas com pessoas que simplesmente pedem uma 'selfie', e isto aplica-se a qualquer pessoa que esteja na política e esteja entre o povo. E desafio qualquer pessoa a encontrar declarações ou ataques da minha parte contra outras figuras políticas apanhadas nas mesmas circunstâncias", disse Meloni.
A primeira-ministra garantiu o seu "compromisso contra todas as formas de máfia", afirmando que "é cristalino, consistente e de longa data".
Argumentou que aquilo que o seu governo fez "é prova disso", pois "enquanto outros libertavam chefes da máfia da prisão sob a desculpa da covid", o seu executivo prendeu-os e manteve-os dentro de um "regime prisional severo".
"Mas estes 'profissionais da informação' não querem saber disso. Tudo não passa de combustível para atirar lama para o ventilador e servir de megafone mediático aos interesses partidários. Não é jornalismo, é apenas política. Não importa muito. Não sou o tipo de pessoa que se deixe intimidar pelos ataques sórdidos de pessoas de má-fé", conclui.
A oposição exigiu esclarecimentos sobre eventuais ligações entre o clã mafioso e o partido Irmãos de Itália.
Deputados do Partido Democrático (centro-esquerda) e membros da comissão antimáfia assinalaram que são "cada vez mais evidentes e repletas de pormenores" as notícias que sugerem ou confirmam "ligações político-institucionais entre membros do crime organizado ligados ao clã Senese e círculos da direita e membros do Irmãos de Itália".
O executivo de Meloni foi abalado recentemente por um caso que levou mesmo à demissão do subsecretário da Justiça, Andrea Delmastro, também dos Irmãos de Itália, após ter sido divulgado que abriu um restaurante em associação com Mauro Caroccia, considerado um 'testa-de-ferro' do clã mafioso Senese.
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