Primeiro-ministro britânico pede desculpa pelo fogo na Torre de Grenfell que "nunca deveria ter acontecido"

Português, Miguel Alves, sobreviveu à tragédia que matou 72 pessoas.

04 de setembro de 2024 às 19:03
Incêndio na torre Grenfell ocorreu a 14 de junho de 2017, num prédio de 24 andares no North Kensington, em Londres, Inglaterra Foto: Getty Images
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O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pediu, esta quarta-feira, desculpa em nome do Estado, afirmando que a tragédia do incêndio na Torre Grenfell de 2027, em Londres, "nunca deveria ter acontecido" e prometeu justiça às vítimas.

As declarações de Starmer foram feitas após a publicação do relatório final do inquérito à tragédia que matou 72 pessoas e que concluiu que o incêndio resultou de "décadas de falhas" por parte do Governo e dos organismos da indústria da construção.

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"O país falhou no seu dever mais fundamental: proteger-vos e aos vossos entes queridos, as pessoas que é suposto servirmos. E por isso lamento profundamente", afirmou, numa declaração escrita.

O chefe do governo do Reino Unido informou sobre a análise cuidadosa que será feita do relatório e das suas recomendações para "garantir que uma tragédia destas não volte a acontecer".

Natasha Elcock, do Grenfell United, um grupo que representa os sobreviventes e as famílias enlutadas, instou as autoridades a "fazer justiça e a acusar os culpados pela morte dos nossos entes queridos".

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"O relatório de hoje revela a falta de competência, de compreensão e a incapacidade fundamental de cumprir os deveres mais básicos de cuidado", disse Elcock, uma sobrevivente do incêndio que perdeu o tio na tragédia. "Pagámos o preço da desonestidade sistemática, da indiferença institucional e da negligência".

O incêndio deflagrou na madrugada de 14 de junho de 2017, num apartamento do quarto andar, e alastrou pelo edifício de 25 andares como um rastilho, alimentado por painéis de revestimento inflamáveis nas paredes exteriores da torre.

A tragédia levantou questões sobre regulamentos de segurança pouco rigorosos e outras falhas de funcionários e empresas que contribuíram para tantas mortes.

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"Como foi possível, na Londres do século XXI, que um edifício de betão armado, estruturalmente imune ao fogo, se transformasse numa armadilha mortal?", pergunta-se no relatório, que também notou que "não há uma resposta simples para essa pergunta".

A Torre Grenfell, construída em betão na década de 1970, tinha sido revestida durante uma remodelação nos anos anteriores ao incêndio com alumínio e polietileno, tendo o relatório sido muito crítico em relação às empresas que fabricaram o revestimento.

O português Miguel Alves, que sobreviveu ao incêndio da Torre Grenfell, em Londres em 2017, espera que a publicação do relatório, esta quarta-feira, sobre a tragédia na qual morreram 72 pessoas permita o julgamento de responsáveis. 

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"Esperamos que seja feita justiça. A polícia já investigou, mas sem a conclusão do inquérito não podiam adiantar mais", disse à Agência Lusa o antigo morador. 

"O que queremos agora é que se faça justiça, que consigam acusar empresas, indivíduos e que pelo menos sejam levados a tribunal", acrescentou. 

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