Primeiro-ministro da Malta protege governantes ligados a suspeito de assassinar jornalista
Joseph Muscat recusa demitir ministros com ligações suspeitas a Yorgen Fenech, alegado mandante do assassinato.
O primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, foi acusado de proteger dois membros do seu governo que têm ligações suspeitas ao empresário Yorgen Fenech, o alegado mandante do assassinato da jornalista anticorrupção Daphne Caruana Galizia, detido na quarta-feira quando tentava fugir do país a bordo de um iate.
Pouco antes de ser assassinada, a jornalista denunciou que uma misteriosa sociedade offshore sediada no Dubai, 17 Black Limited, tinha agendado a transferência de pelo menos dois milhões de euros para duas empresas abertas no Panamá pelo chefe de gabinete de Muscat, Keith Schembri, e pelo atual ministro do Turismo, Konrad Mizzi. Ambos negaram alguma vez ter recebido dinheiro daquela sociedade.
Uma investigação realizada após a morte de Galizia apurou que o proprietário da 17 Black era o empresário Yorgen Fenech, que logo se tornou um dos principais suspeitos pela morte da jornalista. Acabou por ser detido na madrugada desta quarta-feira, horas depois de o alegado intermediário no crime ter aceitado a imunidade oferecida pelo primeiro-ministro em troca da identificação do mandante do assassinato.
A detenção de Fenech reforçou a pressão sobre Muscat para demitir os dois governantes, mas o PM defendeu esta quinta-feira que "é preciso deixar que a Justiça siga o seu curso".
Fenech deixou empresas antes da fuga
Na terça-feira, horas antes de tentar fugir do país a bordo do iate da família, o ‘Gio’, Yorgen Fenech tinha-se demitido do Conselho de Administração do grupo empresarial Tumas e da direção do consórcio Electrogas. Tinha também colocado à venda, dias antes, o seu próprio iate, o ‘Gio 2’, comprado há menos de um ano por 5,5 milhões de euros, em mais um sinal de que tencionava deixar o país.
PORMENORES
Viatura armadilhada
Daphne Caruana Galizia, jornalista e ativista anticorrupção conhecida por denunciar os abusos dos políticos malteses, foi morta na explosão de uma bomba presa à sua viatura em outubro de 2017.
Autores detidos
Os três autores materiais do crime, Vince Muscat e os irmãos Alfred e George Degiorgio, foram detidos pouco após o ataque, mas alegaram não saber quem tinha encomendado a morte da jornalista. O intermediário, Melvin Theuma, só foi preso na semana passada. Terá sido ele a denunciar Fenech.
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