Província da Coreia do Sul exige testes à Covid-19 a estrangeiros e críticas por xenofobia levantam-se
Ordem provocou ainda longas e demoradas filas de espera nos centros de testagem.
A província Gyeonggi, da Coreia do Sul, ordenou, por meio da administração, que todos os trabalhadores internacionais fossem testados contra a Covid-19 até 22 de março, o que acabou por provocar longas filas de espera nos centros de teste ao novo coronavírus e críticas levantam-se por esta decisão ser vista por alguns como xenófoba.
A emissão desta ordem administrativa deveu-se ao facto de 275 trabalhadores estrangeiros terem testado positivo à Covid-19, através de surtos em fábricas.
A província diz que o pedido cobre cerca de 85 mil estrangeiros registados, bem como um número desconhecido de trabalhadores sem identificação. Aqueles que não cumprirem o pedido podem enfrentar multas muito pesadas.
As reclamações de residentes estrangeiros surgiram devido às longas e demoradas filas de espera que se criavam nos centros de testes à Covid-19 e onde era difícil manter o distanciamento.
Uma trabalhadora chinesa testemunhou que esteve quatro horas na fila, à espera de ser testada, segundo revela a Reuters.
Um profissional de saúde disse que o centro de testes à Covid-19 atendia geralmente cerca de 100 pessoas por dia e, com esta ordem, aumentou para uma média de 1400 pessoas.
Até este domingo, 120310 estrangeiros já tinham sido testados, com 120 testes à Covid-19 positivos, disse uma autoridade à Reuters.
No entanto, algumas pessoas consideraram a ordem uma invasão dos direitos humanos.
"Moro na Coreia do Sul há anos, pago uma hipoteca, tenho um negócio, tenho uma família, pago impostos e ainda assim tratam-nos como se fôssemos a causa do novo coronavírus. Parece xenófobo e racista", admitiu John, um designer gráfico do Reino Unido, que vive no país há 10 anos.
Uma professora universitária americana trabalhou na Coreia do Sul durante 15 anos e afirmou que não faz sentido testar pessoas como ela, que ensinam ‘online’ há quase um ano e raramente saem.
O diretor da Agência de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia (KDCA), Jeong Eun-kyeong, disse nesta segunda-feira que a taxa de infecções entre os trabalhadores estrangeiros era e é uma situação de alto risco, avança a Reuters.
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