Província moçambicana da Zambézia sem meios para combater narcotráfico
Várias organizações incluem Moçambique nas rotas globais de tráfico de droga.
Um inquérito do parlamento moçambicano refere que a província da Zambézia, centro do país, tem falta de meios para enfrentar o tráfico de droga, tornando a zona "propensa" à atividade de redes de comércio de estupefacientes.
"A província da Zambézia tem 444 quilómetros de costa, entretanto, o Inamar [Instituto Nacional do Mar] não dispõe de meios de patrulhamento e fiscalização marítima", lê-se no relatório final que está esta quarta-feira em debate no parlamento, à porta fechada.
O inquérito foi suscitado por acusações levantadas em novembro, no parlamento, pelo deputado Venâncio Mondlane, da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição, de que um deputado e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República estaria envolvido numa rede de tráfico através do porto de Macuse.
O relatório final reafirmou a informação preliminar, de que não há "nenhuma evidência" de envolvimento de um deputado, mas registou vários problemas?.
"A avaliar pelas informações obtidas sobre a fragilidade das fronteiras da Zambézia, os narcotraficantes aproveitam-se da larga costa desta província", assinalou.
A comissão parlamentar queixou-se de ter sido impedida de "vistoriar" a embarcação confiscada, usada pela rede de traficantes, mas não tem dúvidas em recomendar com caráter "urgente" o mapeamento de atividades que estejam ligadas ao narcotráfico.
As fragilidades evidenciadas no documento estão em linha com denúncias e relatos feitos ao longo de anos de relatórios internacionais, que colocam todos os 2.500 quilómetros de costa moçambicana sob risco (não só a costa da Zambézia).
Várias organizações incluem Moçambique nas rotas globais de tráfico de droga, sobretudo com origem na Ásia e a atravessar o oceano Índico.
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