Quando a estrada se transforma em maternidade: mulheres grávidas aprendem a dar à luz no carro no Reino Unido
Encerramento da maternidade do distrito de North Devon deixou a unidade hospitalar mais próxima a uma distância de quase duas horas de carro.
Como ajudar uma mulher grávida que vê a maternidade mais próxima a encerrar por falta de profissionais? No Reino Unido, várias mulheres receberam aulas para aprender a dar à luz dentro de um carro.
O hospital do distrito de North Devon encerrou temporariamente a ala de obstetrícia devido a falta de profissionais, obrigando as futuras mães a fazer uma viagem de quase duas horas para a unidade de saúde mais próxima em Exeter, avança o jornal britânico Daily Mail. A situação é tão stressante que os casais estão a aprender como ter um bebé durante uma viagem de carro ou com a viatura estacionada.
"É sobre tentar criar um ambiente de parto que normalmente teria num hospital ou em casa, no carro", disse Catherin Mchomvu, professora que coordena as sessões. "O parto pode acontecer muito rápido para algumas mulheres, por isso, estou a ensinar-lhes posições para atrasar o trabalho de parto, essenciais para ter no carro como garrafas de água grandes, combustível suficiente para manter a viatura quente, muitas toalhas e cobertores para segurar e envolver o bebé e conselhos como não cortar o cordão umbilical até que chegue ajuda", explicou a especialista.
"A preparação para o parto é acompanhada por ansiedade suficiente e antecipação para várias mulheres por si só. E onde deviam estar a receber o máximo de apoio, tiveram o tapete puxado debaixo dos pés delas. Estão ansiosas, stressadas e desapontadas", notou ainda Mchomvu.
A unidade de saúde suspendeu todos os partos, incluindo cesarianas, no dia 11 de agosto, por falta de médicos obstetras. As consultas de triagem para verificar se está tudo bem com a mãe e com o bebé também foram suspensas.
Com a maternidade encerrada, as gravidezes de risco são as que mais preocupam
Hannah Rulton, grávida de 27 semanas, vive a uma viagem de carro de 1h40 da maternidade mais próxima. A mãe, de 37 anos, está com medo, pois ainda se lembra do parto do segundo filho, onde ambos quase morreram.
"Estamos aterrorizados. O meu filho nasceu com distócia de ombro, que fez com que o ombro ficasse preso no meu osso pélvico, e demorou cinco minutos para ele ser ressuscitado", recordou Hannah. "Nós os dois quase morremos. A nossa preocupação é se o próximo bebé vai seguir esse padrão, pois o risco de distócia de ombro é elevado", desabafou a mãe.
"Se entrar em trabalho de parto espontâneo, o que é provável, estaremos num carro durante pelo menos 1h40 sozinhos, sem nenhuma ajuda ou intervenção", disse Hannah, temendo que o "pior aconteça".
Vicky O'Loughlin, de 34 anos, partilha uma história semelhante. De lágrimas nos olhos, disse: "quando soube do encerramento, fiquei muito chocada". "Tenho problemas com o meu sistema imunológico, que me coloca em risco de pré-eclampsia [uma complicação da gravidez que provoca tensão arterial alta e danos nos órgãos]", explicou a mulher.
A mãe, cujo parto está previsto para outubro, disse que não tem para onde ir e não tem dinheiro para alojamento em Exeter onde está localizada a maternidade mais próxima.
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