Quase 60 mortes em Moçambique em superstições de desaparecimento de órgãos genitais

Episódios têm impacto direto na estabilidade das comunidades, com vítimas mortais e feridos na sequência de agressões coletivas associadas a "crenças infundadas".

06 de maio de 2026 às 15:29
Polícia de Moçambique Foto: Getty Images
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O número de mortos em linchamentos motivados por superstições de alegado desaparecimento de órgãos genitais subiu para 58 em Moçambique, após novos casos registados na região centro, sobretudo na província de Manica, anunciaram as autoridades.

"A prática concorre para o linchamento de cidadãos inocentes, que até ao momento culminou com a morte de nove pessoas e outras dez feridas, entre graves e ligeiros. Um facto triste e de pesar com as famílias moçambicanas", disse a governadora da província de Manica, Francisca Tomás, citada esta quarta-feira pela comunicação social.

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Segundo a responsável, os episódios têm impacto direto na estabilidade das comunidades, com vítimas mortais e feridos na sequência de agressões coletivas associadas a "crenças infundadas", impulsionadas por boatos e desinformação sobre alegado desaparecimento de órgãos genitais, principalmete masculinos.

Com os nove óbitos registados em Manica, elevam-se para 58 os mortos por estas agressões, além de dezenas de feridos e detidos, com destaque para a Zambézia e Sofala, no centro de Moçambique.

Francisca Tomás exortou a população da província de Manica a "ser mais vigilante e ignorar todas tentativas de desestabilização nas comunidades, denunciando às autoridades policiais campanhas de inviabilizar a ordem e tranquilidade públicas".

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Na segunda-feira, na Zambézia, a Polícia da República de Moçambique (PRM) indicou que o número de detenções continua a aumentar, com maior incidência nos distritos de Namacurra e Mucubela, onde também foram reportadas mortes, incluindo de professores.

Em Sofala, as autoridades de saúde confirmaram pelo menos quatro mortes por linchamento nas últimas semanas, além de vários casos de agressões físicas associadas ao mesmo fenómeno.

Especialistas de saúde reiteram que os rumores não têm base científica, sublinhando que não existe qualquer desaparecimento de órgãos genitais, sendo os casos associados a stress, medo e perceções erradas.

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As superstições sobre o alegado atrofiamento, encolhimento e até desaparecimento de órgãos genitais, a partir de um toque, tiveram início em 18 de abril, na província de Cabo Delgado, tendo-se posteriormente espalhado para outras regiões do país e para as redes sociais.

As autoridades moçambicanas mantêm o reforço da presença policial e campanhas de sensibilização, alertando para os riscos da desinformação e para a necessidade de evitar justiça pelas próprias mãos.

As autoridades indicam que a situação continua a gerar insegurança em várias regiões, apesar de sinais de estabilização em algumas zonas, com reforço da presença policial e ações de sensibilização.

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A Comissão Nacional de Direitos Humanos já tinha denunciado anteriormente a escalada de violência associada a estas crenças, alertando para a necessidade de intervenção urgente para travar os linchamentos e proteger vidas.

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