Quatro fotos de Aushwitz tapadas pela direção do Museu do Holocausto em Amesterdão

Imagens mostram o caminho dos prisioneiros para a câmara de gás e também cadávares a ser queimados.

21 de abril de 2019 às 16:54
Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Polónia Foto: Getty Images
O campo de extermínio de Auschwitz é um símbolo do terror nazi Foto: Getty Images
Auschwitz Foto: Twitter
Auschwitz Foto: Getty Images
Campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Polónia Foto: Getty Images

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Quatro fotografias tiradas em 1944 por Alberto Errera, um judeu grego internado no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, foram tapadas pelo Museu do Holocausto de Amesterdão, na Holanda. As fotos mostravam o caminho dos prisioneiros para a câmara de gás e também cadáveres a ser queimados.

De acordo com o jornal espanhol El País, as fotos fazem parte de uma exposição dedicada à perseguição dos judeus holandeses entre 1940 e 1945, que pode ser vista até dia 06 de outubro. Relativamente às quatro fotos tapadas, a direção explicou que ainda não tomou uma posição oficial devido ao grau de evidência de cenas fortes que as fotos têm.

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O Instituto de Estudos de Guerra, o Holocausto e o Genocídio (NIOD na sigla holandesa), responsável pela montagem da amostra, lamenta a decisão porque considera que Errera conseguiu registar uma das principais evidências históricas do Holocausto.

A exposição está então no museu situado no coração de Amesterdão, num antigo bairro judeu. Embora possa ser visitado e organize diversos eventos e atividades, a abertura oficial só vai acontecer em 2022. É por essa razão que o diretor, Emile Schrijver, precisa de tempo para decidir a sua posição enquanto instituição.

Devido às dúvidas éticas que existem relativamente à exposição das fotos, o museu decidiu tapá-las. Outro dos motivos para esta decisão passa pelo facto de as imagens não se relacionarem "com as vítimas na Holanda", explicou Schrijver.

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No entanto, o NIOD descreve as fotos como uma "testemunha essencial, pois os judeus holandeses sofreram o mesmo destino e os corpos não são reconhecíveis, mas testemunhas da destruição".

Apesar do valor histórico, as imagens não eram tão conhecidas como outras cenas e é por isso que René Kok e Erik Somers, pesquisadores do instituto e curadores da exposição, as inseriram no livro da exposição. Este livro, por sua vez, pode ser comprado sem censura no museu.

Alberto Errera foi um oficial do exército grego e membro da resistência judaica durante a Segunda Guerra Mundial. Quando ficou prisioneiro, foi forçado a fazer parte dos chamados Sonderkommandos (comandos especiais), brigadas de cativos destinadas a trabalhar nas câmaras de gás e nos crematórios dos campos de concentração nazistas na Europa.

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