Restos mortais de 100 bebés encontrados em vala comum junto a antigo lar religioso na Irlanda

Lar gerido por freiras católicas acolheu milhares de mulheres grávidas e seus filhos entre 1925 e 1961. Começam agora os exames forenses.

23 de julho de 2026 às 11:12
Centro forense em Galway onde são feitos os exames aos restos mortais dos bebés Foto: Liam McBurney/PA Images via Getty Images
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Especialistas forenses começaram a examinar restos mortais de quase 100 bebés encontrados numa vala comum no oeste da Irlanda, junto a um antigo lar religioso para mães solteiras e seus filhos, revelaram responsáveis pela operação.

Daniel MacSweeney, que lidera os trabalhos, disse à AFP que, um ano depois do início das escavações da vala comum, em julho de 2025, é agora possível "avançar com o exame forense dos restos mortais" já recuperados.

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"Poderemos começar a personalizar estas histórias, a compreender como estas pessoas viveram e como morreram", enfatizou MacSweeney.

Segundo MacSweeney, 99 conjuntos de restos mortais foram recuperados até à data e serão examinados num laboratório forense instalado no terreno do antigo Lar de Santa Maria, gerido pelas Irmãs do Bom Socorro, em Tuam, no condado de Galway.

Os especialistas recolheram amostras de DNA de 62 pessoas pertencentes às famílias das crianças mortas e estão em contacto com outras 200, afirmou Daniel MacSweeney.

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Quatro especialistas vão dedicar-se ao exame destes restos mortais antes da realização de análises de DNA para tentar identificar as vítimas.

A arqueóloga forense Niamh McCullagh disse à AFP que os especialistas estão também a analisar o esmalte dentário para tentar determinar o sexo dos bebés falecidos, algo praticamente impossível de estabelecer apenas com base nos ossos.

Entre 1925 e 1961, este lar, gerido por freiras católicas, acolheu milhares de mulheres grávidas e seus filhos.

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Estas mulheres estavam confinadas a estas instituições por ordem do Estado irlandês e da Igreja Católica, sendo geralmente separadas dos seus filhos.

Cerca de 796 bebés e crianças pequenas morreram em Tuam, e muitas foram enterradas anonimamente.

Escavações exploratórias realizadas em 2016 e 2017 revelaram a presença de numerosos restos mortais de bebés numa fossa sética subterrânea desativada.

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As escavações são o resultado de anos de mobilização pública, após a historiadora local Catherine Corless ter reunido provas de que centenas de crianças tinham sido enterradas no local.

Uma comissão nacional de inquérito sobre os abusos perpetrados nestes lares revelou posteriormente níveis "alarmantes" de mortalidade infantil nas instituições, onde constatou a morte de 9.000 crianças.

Segundo MacSweeney, os 99 conjuntos de restos mortais foram encontrados numa área relativamente pequena, identificada como um cemitério, enquanto outras partes do local não apresentavam vestígios.

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