Rússia nega pressões políticas sobre a Moldávia na questão do gás
País pede o pagamento da dívida acumulada de 709 milhões de dólares que o Governo moldavo se nega a reconhecer.
A Rússia negou esta quarta-feira ter apresentado condições políticas para superar a crise do abastecimento de gás à Moldávia assegurando tratar-se de uma questão "exclusivamente comercial".
"Não há nenhum aspeto político nem pode haver. São negociações exclusivamente comerciais", disse esta quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, na conferência de imprensa telefónica que efetua todos os dias.
Peskov referia-se às notícias publicadas pelo jornal Financial Times que indicam que a empresa estatal russa Gazprom apresentou à Moldávia um acordo de gás "mais barato" em troca de mudanças no pacto de livre comércio com a União Europeia e de atrasos nas reformas para o mercado energético acordadas com Bruxelas.
"Existe procura, há uma oferta comercial, e propõe-se uma baixa e existe também o problema da dívida acumulada. Isto é um assunto comercial, não há nem pode haver nenhuma politização", disse Peskov.
A Gazprom ameaçou suspender a distribuição de gás à Moldávia a partir do dia 01 de dezembro se as autoridades de Chisinau não concordarem com um novo contrato de longo prazo.
A Rússia pede o pagamento da dívida acumulada de 709 milhões de dólares que o Governo moldavo se nega a reconhecer.
O vice-primeiro-ministro moldavo, Andrei Spinu, que hoje se reúne em São Petersburgo com o líder da Gazprom, Alexei Miller, anunciou na segunda-feira que a Moldávia propõe a realização de uma auditoria independente para que seja determinada - com exatidão - o montante da dívida.
A primeira-ministra moldava, Natalia Gravrilita, disse que o Governo não reconhece a "dívida histórica", acrescentando que a questão não deve ser colocada no âmbito das negociações com a Gazprom, cuja primeira ronda, decorreu em Moscovo na semana passada, sem resultados.
Entretanto, a empresa estatal de gás moldava Moldovatransgaz disse que a Ucrânia e a Roménia lhe adiantaram volumes de gás, pelo menos, até ao dia 31 de outubro.
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