"Salvámos quem pudemos": Membro da tripulação de iate de luxo que naufragou na Sicília quebra o silêncio sobre tragédia
A bordo seguiam 22 pessoas: sete morreram e 15 foram resgatadas no dia do acidente.
Um dos sobreviventes do iate de luxo que naufragou na Sicília, em Itália, no dia 19 de agosto, disse que a tripulação "salvou quem pôde" quando o barco afundou num desastre que matou sete pessoas. A bordo seguiam 22 pessoas: sete morreram e 15 foram resgatadas no dia do acidente.As vítimas mortais são o milionário Mike Lynch e a filha Hannah Lynch, Jonathan Bloomer, diretor internacional do banco Morgan Stanley, a mulher, Judy, o advogado Chris Morvillo e a mulher, a designer de joias Neda Morvillo, e Recaldo Thomas, o cozinheiro do iate.
Matthew Griffiths era uma das 22 pessoas a bordo do Bayesian quando este foi devastado por uma tromba de água a poucas centenas de metros do porto de Porticello.
O jovem de 22 anos, que estava de plantão na noite da tragédia, disse aos investigadores que os tripulantes fizeram tudo o que podiam para salvar as pessoas a bordo do iate, de acordo com comentários relatados pela agência de notícias italiana Ansa citada pelo Daily Mail.
Griffiths, o capitão do barco James Cutfield e o engenheiro de navios Tim Parker Eaton foram colocados sob investigação pelas autoridades italianas por suspeita de homicídio involuntário múltiplo.
"Acordei o capitão quando o vento estava a 20 nós (23 mph). Ele deu ordens para acordar todos os outros", afirmou.
"O navio inclinou e fomos lançados para a água. Conseguimo-nos levantar e tentamos resgatar aqueles que podíamos", acrescentou, descrevendo os acontecimentos da noite fatídica, quando o Bayesian estava ancorado no porto siciliano.
"Estávamos a andar nas paredes (do barco). Salvámos quem pudemos, Cutfield também salvou a menina e a mãe", referindo-se à passageira Charlotte Golunski e à filha de um ano.
Cutfield exerceu o seu direito de permanecer em silêncio quando questionado pelos procuradores de Termini Imerese. Os advogados do mesmo
explicaram que este estava "esgotado" e que precisavam de mais tempo para construir a defesa.
O procurador Raffaele Cammarano disse na semana passada que o navio provavelmente foi atingido por uma "explosão descendente", um vento descendente muito forte.
No entanto, o naufrágio intrigou especialistas navais, que disseram que um navio como o Bayesian, construído pelo fabricante italiano de iates de luxo Perini, deveria ter resistido à tempestade e, em qualquer caso, não deveria ter afundado tão rapidamente.
Entre as teorias que estão a ser investigadas, está se os procedimentos adequados foram realizados pelo navio para proteger o iate antes da tempestade que havia sido prevista e que havia impedido os barcos de pesca de navegarem para o mar.
Giovanni Costantino, do Italian Sea Group, dono da Perini Navi, que construiu o Bayesian, já afirmou que o iate era "inafundável" e que erro humano levou ao naufrágio, com possivelmente escotilhas e vigias deixadas abertas.
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