Sánchez insiste que não há provas do envolvimento de Marrocos na crise de Ceuta

Primeiro-ministro espanhol garantiu no Parlamento que o governo não recebeu nenhum aviso concludente sobre a invasão

04 de setembro de 2026 às 01:30
Pedro Sánchez foi ao Parlamento dar explicações sobre a entrada massiva de mais de 70 mil imigrantes no enclave de Ceuta Foto: Chema Moya/EPA
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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, garantiu esta quinta-feira no Parlamento que não existem provas concretas de que Marrocos planeou ou orquestrou o assalto à fronteira de Ceuta por mais de 70 mil imigrantes, no final do julho, mas admitiu mudar de opinião se a investigação que está em curso revelar o contrário.

“Se existirem provas, atuaremos em consequência. Este governo não tem medo de enfrentar poderes estrangeiros. Mas só atuaremos com base em fatos comprovados”, afirmou Sánchez, garantindo que “à data de hoje [quinta-feira] tal possibilidade foi descartada pelos nossos serviços de informações”. O PM espanhol frisou ainda que um potencial choque com Marrocos teria graves consequências “sem volta atrás”, e para isso terá de estar muito seguro sobre o que passou, garantindo que não irá iniciar um conflito com o país vizinho por “pressões políticas”.

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Os principais partidos da oposição, PP e Vox, deixaram claro que não têm dúvidas sobre o envolvimento marroquino e acusaram Sánchez de ter medo de reagir. “A operação saiu de Marrocos, foi consentida por Marrocos e há indícios de que foi coordenada por Marrocos, e o governo sabia porque foi avisado. O senhor devia demitir-se por incompetência ou cumplicidade”, acusou o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, sugerindo mesmo que Rabat saberá algo de comprometedor sobre Sánchez depois ter usado o sistema ‘Pegasus’ para escutar o seu telemóvel. “Que documento ou conversa havia no seu telefone para que se comporte desta maneira? O que sabe Marrocos sobre si? Porque tem tanto medo de Marrocos?”, insinuou Feijóo. Já o líder do Vox, Santiago Abascal, foi mais longe e acusou o chefe do governo de “traição”. “Sánchez é um traidor a Espanha. Traiu o seu próprio partido e os polícias, que tentou culpar por esta crise. Vemos como ele é muito valente com o rei de Espanha e submisso com o rei de Marrocos. Isto não foi uma crise migratória, foi uma invasão”, acusou.

Sánchez garantiu ainda no Parlamento que o governo não recebeu qualquer aviso concludente sobre a dimensão do que iria acontecer, isto apesar de o El Mundo ter revelado, esta quinta-feira, dois relatórios dos serviços de informações militares e da Polícia Nacional que alertavam, nos dias anteriores do assalto, para o caráter “massivo” da invasão e para o “risco extremo de colapso da fronteira”.

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