São Paulo aplica primeira dose de vacina contra a Covid-19 do Brasil
Mónica Calazans, de 54 anos, viúva e moradora na periferia da zona leste da cidade de São Paulo, inclui-se no primeiro grupo de risco a ser vacinado.
Uma enfermeira intensivista, que trabalha na UTI, Unidade de Tratamento Intensivo, para doentes com Covid-19 em estado grave internados no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, de São Paulo, foi a primeira pessoa do Brasil a ser imunizada com uma vacina contra o Coronavírus. A cerimónia, transmitida ao vivo pelas televisões, ocorreu na tarde deste domingo num salão do Hospital das Clínicas, no centro da capital paulista, cerca de somente meia-hora depois de o regulador brasileiro para a área da saúde ter aprovado o uso de emergência de duas vacinas, a Coronavac, produzida em parceria pelo laboratório Sinovac, da China, e o Instituto Butantan, de São Paulo, e a produzida pela parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório Astrazeneca, do Reino Unido.
Mónica Calazans, de 54 anos, viúva e moradora na periferia da zona leste da cidade de São Paulo, inclui-se no primeiro grupo de risco a ser vacinado. Ela trabalha na linha de frente do combate à Covid-19, é obesa e diabética e tem pressão alta.
De família humilde, Mónica trabalhou durante mais de 20 anos como auxiliar de enfermagem, estudando de noite até realizar o seu sonho de se tornar enfermeira. Aos 47 anos, finalmente, conseguiu formar-se e no ano passado, ao eclodir a pandemia de Coronavírus, ofereceu-se como voluntária para trabalhar na UTI do Emílio Ribas.
A cerimónia da vacinação de Mónica decorreu com visível emoção de todos os presentes, inclusive a quase uma centena de jornalistas, o governador do estado de São Paulo, João Doria, que chorou, e da própria enfermeira, que também não conteve as lágrimas. Em bairros de São Paulo, carros buzinaram durante alguns minutos comemorando o tão ansiado início da vacinação no Brasil, onde mais de 8,3 milhões de pessoas já foram infetadas e quase 210 mil morreram devido ao Coronavírus.
Mónica foi vacinada com a Coronavac, desenvolvida pela Sinovac e produzida também no Butantan. Além da importância do início da vacinação, a cerimónia de hoje foi uma grande vitória política de Doria, que apostou na Coronavac e enfrentou todo o tipo de ataques, nomeadamente por parte do presidente Jair Bolsonaro, que fez uma intensa campanha contra a vacina da China, tanto por ser desse país, que ele frequentemente ataca, como por não querer dar um trunfo a Doria, seu adversário político.
Por ironia do destino, das duas vacinas aprovadas este domingo pelo regulador, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a única ao dispor dos brasileiros é exactamente a Coronavac. O Instituto Butantan já tem prontas seis milhões de doses da Coronavac e está a ultimar a produção de mais 4,8 milhões, enquanto as doses que o governo central esperava receber este domingo da vacina de Oxford fabricadas na Índia não chegaram, porque aquele país do oriente iniciou esta semana a sua própria vacinação nacional e só terminada esta atenderá pedidos de outros países.
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