Situação epidemiológica decorrente do surto de hantavírus está controlada em Cabo Verde
Diretora-geral da Saúde de Cabo Verde garantiu que o episódio não afetou o turismo nacional, que atualmente ultrapassa os 1,3 milhões de visitantes anuais.
A situação epidemiológica decorrente do surto de hantavírus detetado no navio Hondius está controlada e não representa qualquer risco para a saúde pública ou para o turismo no arquipélago, disse hoje a diretora-geral da Saúde de Cabo Verde.
"Fomos notificados a partir do dia 02, que foi um sábado, por uma entidade da RSI [Regulamento Sanitário Internacional], do Reino Unido, de que estaria a caminho de Cabo Verde, próximo a entrar nas águas de Cabo Verde, um navio que tinha sido notificado a já alguns casos graves de uma doença e também com alguns óbitos", explicou Ângela Gomes, em declarações à Lusa à margem da XVII edição do Encontro Nacional de Médicos Internos de Saúde Pública, que decorreu hoje no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.
Numa gestão classificada como rápida e eficaz, as autoridades decidiram manter a embarcação em alto mar para salvaguardar a segurança sanitária nacional, prestando assistência médica direta a bordo e coordenando a retirada segura de três pacientes.
Para Ângela Gomes, a resposta foi imediata, impedindo a atracação da embarcação no porto da Praia, capital do país lusófono, e mobilizando uma equipa multidisciplinar num modelo 'One Health'.
Mesmo com a pressão internacional e diplomática para o desembarque dos doentes em terra, a Direção Nacional da Saúde de Cabo Verde manteve-se firme na estratégia de isolamento a bordo, uma vez que a situação clínica era considerada controlável.
"Entendemos que isso colocaria um risco que poderíamos gerir dentro da embarcação, com menos risco potencial para a nossa população em terra", explicou a diretora, justificando a decisão que culminou num plano de evacuação médica.
Questionada sobre o impacto económico no arquipélago, Ângela Gomes garantiu que o episódio não afetou o turismo nacional, que atualmente ultrapassa os 1,3 milhões de visitantes anuais.
"A medida mais correta foi a que nós tomámos, deixar o navio em alto mar, não próximo, bem alto mar mesmo, para diminuir qualquer possibilidade de contacto de qualquer resíduo ou vestígio da embarcação com a terra. E a evacuação correu com mais alto nível de segurança (...), portanto não impactou de forma geral a questão do turismo", concluiu.
Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infetar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas a infeção humana, caso em que podem causar doença grave.
Não existe vacina nem tratamento específico para este vírus, cuja estirpe dos Andes, detetada em passageiros do cruzeiro infetados, é a única em que se conhecem casos de transmissão entre humanos.
O cruzeiro onde foram registados os casos e, até agora, três mortes, zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 01 de abril, para uma viagem através do oceano Atlântico, e os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), através de roedores, ou já a bordo do navio.
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