Suspeito de envolvimento no atentado contra oligarca no Mónaco quebra o silêncio e fala em "missão oficial" encomendada
Zhykovych revela que ataque foi autorizado pelos superiores que trabalhavam nos Serviços de Informações Militares da Ucrânia.
Vitalii Zhykovych, ex-oficial dos serviços de segurança da Ucrânia, suspeito de estar ligado ao atentado no Mónaco que feriu o magnata ucraniano Vadim Yermolaev, a mulher e o filho, quebrou o silêncio pela primeira vez desde que foi detido. Zhykovych refere em entrevista à BBC que Anastasia Berezovska, a mulher ucraniana tida pelas autoridades como a principal suspeita do ataque e que entretanto foi encontrada morta com ferimentos de bala na cabeça, "era sua agente", mas nega ter sido o autor do homicídio.
Zhykovych fala numa "missão oficial" encomendada por um outro elemento, Vladyslav Reut, que no depoimento em tribunal mudou a versão que já tinha apresentado. "Como Reut informou, a operação foi autorizada e aprovada pelos superiores que trabalhavam nos Serviços de Informações Militares da Ucrânia", descreve em entrevista. O suspeito, detido numa prisão em Kiev, refere ainda que esse mesmo agente foi quem indicou que Anastasia deveria fazer parte da missão, algo que negou, sendo que esta não estaria "suficientemente treinada" para o planeado.
Os Serviços de Informações Militares ucranianos não prestaram declarações depois do posicionamento de Zhykovych, descrevendo-no apenas como um antigo membro.
O magnata ucraniano Vadim Yermolaev, de 58 anos, ficou ferido na explosão quando voltava com a família de um jantar. Imagens de videovigilância mostram Berezovska na frente do grupo suspeito, disfarçada de homem, deixando uma encomenda na porta de casa. O pacote acabou por ser acionado a cerca de 12 metros de distância através de um telemóvel descartável e depois explodiu. Yermolaev já havia referido suspeitar que pessoas próximas à atual e antiga liderança dos Serviços ucranianos estariam ligados ao ataque.
Berezovska acabou por fugir para França, conduzindo um carro alugado, que abandonou em Frankfurt, na Alemanha. Regressou à Ucrânia através da Polónia, segundo as investigações das autoridades ucranianas, onde foi considerada suspeita e acabou por ser encontrada morta dias depois. Segundo a investigação, regressaria à Ucrânia a 1 de julho e terá sido assassinada a 3 de julho, perto da localidade de Yuriv, na região de Kyiv.
Após a detenção, Reut confessou inicialmente ter disparado sobre Berezovska a mando de Zhykovych, como informaram os procuradores ucranianos. Contudo, já em tribunal, alegou que foi Zhykovych quem premiu o gatilho, alegações rejeitadas pelo advogado de Zhykovych.
As versões contraditórias deixaram por esclarecer quem matou Berezovska e em que circunstâncias, bem como se o atentado no Mónaco resultou de uma operação autorizada por responsáveis dos serviços ucranianos, de uma iniciativa isolada ou de um ajuste de contas.
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