Trump afirma que jornalista do '60 Minutes' é "uma vergonha" por confrontá-lo com manifesto escrito por atirador
Presidente norte-americano foi entrevistado por Norah O'Donnell, este domingo. O tema da conversa foi o ataque deste sábado no jantar dos Correspondentes da Casa Branca.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assumiu, este domingo no programa '60 Minutes' da CBS NEWS, que "não facilitou "o trabalho ao Serviço Secreto durante o ataque deste sábado à noite no jantar de Correspondentes da Casa Branca, porque queria perceber o que se estava a passar. Embora sem certezas, o norte-americano admitiu que poderia ser o alvo de Cole Tomas Allen e considerou-o um homem "muito perturbado".
Em entrevista a Norah O'Donnell, que também esteve presente no jantar e que testemunhou o ataque, Trump afirmou não ter ficado preocupado quando começou a existir agitação dentro da sala. "Não fiquei preocupado. Eu compreendo a vida. Vivemos num mundo louco", frisou.
Assim que se aperceberam do tiroteio, os agentes norte-americanos evacuaram o espaço onde decorria a cerimónia com mais de 2500 convidados e retiraram da sala Donald Trump, que estava acompanhado pela mulher Melania, e o vice-presidente dos EUA, JD Vance. Neste momento, Trump fez o seguinte pedido às autoridades: "Esperem um minuto, esperem um minuto. Deixem-me ver. Esperem um minuto".
Cole Allen assumiu às autoridades norte-americanas que tinha como alvo funcionários do governo dos EUA. Os investigadores divulgaram que, minutos antes do ataque, o suspeito terá enviado um manifesto à família a criticar a administração Trump e a intitular-se como "Assassino Federal Amigável".
A meio da entrevista, Trump não gostou que Norah O'Donnell o confrontasse com o que estava escrito no manifesto. Depois de Norah ler parte do manifesto, onde Cole Allen se dirige a Trump como "pedófilo e violador", o norte-americano rejeitou as acusações. O presidente dos EUA asseverou que a jornalista "era uma vergonha" por estar a referir o que foi escrito no manifesto no '60 Minutes'.
Durante a entrevista, Trump elogiou o comportamento de Melania. O norte-americano considerou que a primeira-dama foi "muito forte e inteligente" e que "lidou muito bem com a situação".
Recorde-se que o jantar dos Correspondentes da Casa Branca, a que Trump não comparecia desde 2015, foi interrompido por Cole Tomas Allen, de 31 anos, que estava armado, com duas armas de fogo e várias facas. O suspeito chegou mesmo a disparar cinco vezes, tendo sido foi imobilizado pelos elementos de segurança que estavam no hotel Washington Hilton. Embora não tenha sido atingido pelos disparos, Allen foi transportado para uma unidade hospitalar.
Trump não demorou a reagir ao sucedido. Numa conferência de imprensa ainda no sábado (madrugada de domingo em Portugal), depois do suspeito ter sido detido, Trump não hesitou em elogiar o trabalho desempenhado pelas forças de segurança. No mesmo discurso dirigiu-se a Cole Allen como "lobo solitário maluco". Na Truth Social, assumiu que os agentes agiram com "rapidez e bravura".
No final da conversa, deste domingo, com a Norah O'Donnell, Trump afirmou ter vontade que o jantar dos Correspondentes da Casa Branca seja novamente organizado nos próximos 30 dias.
Esta é também a primeira entrevista que Donald Trump dá ao programa '60 Minutes' depois de, em 2024, ter estado em litígio com o grupo Paramount Global. O atual presidente dos EUA alegou que a edição deste formato a Kamala Harris favoreceu a candidata presidencial a poucos dias das eleições de 5 novembro. Em julho de 2025, Trump anunciou ter chegado a acordo com o grupo por mais de 36 milhões de dólares, quase 31 milhões de euros.
O anúncio da presença do norte-americano no programa conduzido por Norah O'Donnell foi feito pelo diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, nas redes sociais.
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