Trump baralha-se (de novo) e chama Islândia (Iceland) à Gronelândia (Greenland) perante plateia de líderes mundiais
'Gaffe' do presidente norte-americano durante discurso em Davos não passou despercebida a diplomatas europeus.
Donald Trump não é estranho a 'gaffes'. Ao longo dos seus dois mandatos, várias foram as vezes que o chefe de Estado norte-americano trocou (intencionalmente ou não) nomes de países e líderes mundiais. Esta quarta-feira, o presidente dos EUA pareceu cometer mais uma, ao referir-se por várias vezes à "Islândia" quando falava das pretensões de Washington sobre o território autónomo dinamarquês da Gronelândia.
"Até aos últimos dias, quando falei [à NATO] sobre a Islândia, adoravam-me. Chamavam-me papá, não era?" afirmou perante o fórum económico ao discutir as tensões recentes no seio da aliança atlântica.
Foi a primeira vez que Trump, que descreveu a Gronelândia como "um pedaço de gelo frio e mal localizado, que pode ter um papel vital na paz e proteção do mundo", pareceu não saber o nome do território que pretende adquirir. Mais tarde, repetiu.
"Não sei se a NATO estaria lá para nós" afirmou sobre a possibilidade de a aliança atlântica defender os EUA em caso de ataque (recorde-se que a única vez que o Artigo 5º da NATO foi acionado, foi após o 11 de setembro). "Não está lá para nós no que toca à Islândia, isso posso dizer-vos. A nossa bolsa de valores desceu pela primeira vez ontem por causa da Islândia. Por isso a Islândia já nos custou muito dinheiro", repetiu.
A aparente confusão de Trump não passou despercebida aos diplomatas europeus, que ironizaram sobre a situação. "Bem, ele agora quer a Islândia, não a Gronelândia, por isso estamos safos", afirmou sob anonimato um enviado da União Europeia ao Politico, isto uma vez que o país nórdico, de cerca de 300 mil habitantes, não faz parte da UE.
Já outros reconheceram a seriedade da situação, sobretudo no que diz respeito às declarações de Trump no seu discurso sobre a possibilidade de usar a força militar na Gronelândia — o presidente dos EUA pareceu descartar a possibilidade ao dizer "não o vou fazer", mas não sem antes dizer que as forças norte-americanas seriam "imparáveis" se optassem por essa via.
"As pessoas podem tirar as suas próprias conclusões (...) Depende de quanto se confia nas suas palavras. Mas acho que poucos veem aquele discurso e põem alguma hipótese de lado", disse outro diplomata de Bruxelas.
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