Turquia oferece mediação entre o Irão e os EUA mas prepara fronteira para possível conflito
País, que partilha mais de 550 quilómetros de fronteira com o Irão, "está pronta para contribuir para a resolução das tensões atuais através do diálogo".
A Turquia propôs esta quinta-feira mediar o conflito entre Teerão e Washington, mas declarou-se pronta para "reforçar a fronteira" em caso de um ataque norte-americano ao Irão, segundo fontes oficiais turcas.
Uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros turco disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, é esperado na sexta-feira na Turquia.
O homólogo turco, Hakan Fidan, "reitera a oposição da Turquia a qualquer intervenção militar contra o Irão, insistindo nos riscos de tal iniciativa para a região e para o mundo", afirmou a mesma fonte, na condição de não ser identificada.
A Turquia, que partilha mais de 550 quilómetros de fronteira com o Irão, "está pronta para contribuir para a resolução das tensões atuais através do diálogo", acrescentou a fonte oficial.
Paralelamente, um alto responsável turco disse à AFP que Ancara está preparada para "reforçar a segurança na fronteira", embora sem confirmar a hipótese de criação de uma zona tampão, avançada por meios de comunicação turcos.
A Turquia já ergueu 380 quilómetros de muro na fronteira com o Irão, "mas não é suficiente", segundo a mesma fonte.
A estrutura, que atravessa regiões montanhosas e fustigadas pela neve no inverno, visa travar a imigração ilegal, proveniente sobretudo do Irão e do Afeganistão, e o tráfico de estupefacientes.
Até ao momento, não foi registado qualquer afluxo significativo na fronteira, mesmo durante a recente vaga de contestação no Irão.
Mais de 6.200 pessoas morreram na repressão dos protestos no Irão, de acordo com um balanço atualizado da organização não-governamental (ONG) norte-americana Human Rights Activists News Agency (HRANA, na sigla em inglês).
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano disse na quarta-feira que as forças iranianas estavam preparadas, com "o dedo no gatilho", para responder a qualquer ataque norte-americano.
Araghchi reagia à afirmação do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que o tempo se estava a esgotar para o Irão.
O ministro iraniano reiterou, no entanto, que o Irão estava pronto para um acordo "justo e equitativo" sobre o programa nuclear de Teerão, que o Ocidente denuncia ter fins militares, apesar de Teerão o negar.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco aconselhou na quarta-feira os Estados Unidos a dialogar com o Irão, defendendo que atacar Teerão seria um erro.
A Turquia receia também um aumento da atividade de combatentes curdos em solo iraniano, pelo que eventuais ataques norte-americanos poderão alterar a situação.
O receio de um confronto militar na região devido às ameaças de Trump contra o Irão provocou a subida do preço do petróleo.
O barril de Brent, de referência para Portugal, ultrapassou esta quinta-feira a barreira dos 70 dólares (58,5 euros, ao cambio atual) pela primeira vez desde setembro, segundo a AFP.
O Irão é um grande produtor de petróleo e vizinho do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
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