Buraco no estômago de vacas gera revolta e indignação em França
Centro de pesquisa defende que o objectivo é estudar a "digestão de proteínas vegetais".
A L214, uma associação francesa de proteção animal, conhecida por denunciar maus tratos de animais em grandes empresas alimentares, denunciou os testes de uma empresa agroindustrial, situada no centro-oeste de França, que perfura os corpos das vacas, criando uma ligação direta ao estômago do animal, com o objetivo de estudar a "digestão de proteínas vegetais".
A L214 divulgou esta quinta-feira um vídeo onde expõe a prática do centro de pesquisa Avril que pertence à empresa responsável pelos testes, a Sanders. Nas imagens é possível observar um orifício na parte lateral do corpo da vaca, com acesso ao estômago, e um técnico a inserir o braço e mão até ao órgão para recolher material do interior de um dos bovinos.
Este processo, denominado como fistulação, consiste na realização de uma cirurgia que exterioriza uma determinada porção do trato digestivo do animal, com aberturas desde a pele até à região do órgão a ser exteriorizada. Após a cicatrização é implantado um tubo de silicone para manter o orifício protegido e permitir, novamente, o acesso ao interior do órgão.
Os responsáveis pelos testes dizem que as fístulas, "aplicadas há muito tempo na investigação animal", são utilizadas no centro experimental apenas em seis vacas para "pesquisas que devem permitir colocar em prática métodos alternativos".
A empresa defende que os testes estão enquadrados na lei do país. "Em França, esse procedimento está previsto na lei e é autorizado pelo ministério da Investigação e Inovação", acrescenta o grupo, que produz 25% dos ovos consumidos na França.A Avril reiterou ainda que os testes realizados são acompanhados por veterinários "extremamente rigorosos".
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